Thursday, May 29, 2008

O Senhor dos Pastéis

Por isso o tio Peter Jackson não lança nunca o filme “O Hobbit”! Ele deve estar engajado em outro projeto, também envolvendo as histórias de Tolkien. Só que, dessa vez tem há ver com culinária e tal. Quando será lançado, “O Senhor dos Pastéis”? Os viciados em LOTR mal podem esperar para terem em suas mesas, receitas como, “cabeça de warg ao molho Morgul(com uma maçazinha na boca então, bah, maravilha)”, “orelha de elfo, refugada com folhas de Lórien”, “dedo de hobbit frito em lava de Mordor(extremamente picante)”, “barba de anão, torrada nas brasas balrog(imaginem que crocante deve ser)” ou até um saboroso “olho de Sauron, preparado nos caldeirões Barad-Dûr”. Já pensaram? hmmm, delícia! São tantas opções no menu que não ficaria satisfeito em escolher uma só. E tudo isso, acompanhado de uma boa bebida do Dragão Verde, na Quinta Leste do Condado. Preparem-se, vem ai o filme: “O Senhor dos Pastéis”.

O Livro, já está nas bancas.
Recomendado pelos melhores gourmets da Terra Média.

Posted by Gui Vivian at 00:51:41 | Permalink | No Comments »

Monday, May 26, 2008

Funk do Senhor dos Anéis

Bah, o pior é que os caras que fizeram isso, entendiam muito da triologia, ficou muito engraçado!

DJ Bombadil & MC Gandalfo - Montagem do Anel
alt : http://www.youtube.com/v/5kYhCbFtsXU&hl=en

Que nível chegamos, lamentável…HEHEHEHHE

Posted by Gui Vivian at 20:26:43 | Permalink | No Comments »

Friday, October 20, 2006

Os Anéis de Poder

“Três Anéis para os Reis-Elfos sob este céu,
     Sete para os Senhores-Anões em seus rochosos corredores,
Nove para Homens Mortais, fadados ao eterno sono,
     Um para o Senhor do Escuro em seu escuro trono
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.
     Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los,
     Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.”

Estes são os versos das antigas tradições élficas que falam sobre a criação dos Anéis de Poder. A sexta e a sétima linha foram reproduzidas no Um Anel usando o idioma de Mordor e a caligrafia élfica.

Eram 20 Anéis no total, criados na Segunda Era do mundo. Destes, 19 foram criados por uma sociedade de elfos em Eregion com a ajuda de Sauron, que os enganara usando um disfarce.

Estes artefatos foram feitos para presentear os Reis de cada raça da Terra-Média (Homens, Elfos e Anões). Sauron então deu início a segunda fase de seu plano forjando em segredo o Um Anel. Este anel mestre serviria para tomar o controle de todos os outros e dessa forma, de todas as raças da Terra-Média.

Os nove reis dos homens que receberam os anéis de poder foram facilmente seduzidos pelo poder do Um Anel, e se tornaram os Nazgûl, os mais terríveis servos do Senhor do Escuro. Dos sete anéis dados aos Senhores Anões, três foram recuperados por Sauron e os outros quatro foram consumidos pelos dragões. Os únicos que restaram foram os Três Anéis dos elfos que nunca foram tocados ou maculados por Sauron e que no momento em que se passa a história da Guerra do Anel, eles estão com Galadriel, Elrond e Gandalf.

Veja a seguir a história mais detalhada dos Anéis de Poder, desde sua criação até a destruição do Um Anel nas Fendas da Perdição, nas profundezas da Montanha Orodruin.


História dos Anéis de Poder

Após a derrota de Morgoth (“Inimigo do Mundo”), o antigo mestre de Sauron, na Guerra da Ira, ao término da Primeira Era, alguns dos Elfos noldor foram para Eregion, onde estabeleceram um reino duradouro e construíram a cidade chamada Ost-in-Edhil (“Fortaleza dos Eldar”), próxima ao portão oeste dos grandes palácios da cidade dos Anões, Khazad-dûm, mais tarde conhecida como Moria.

No ano de 1200 da Segunda Era, Sauron chega entre os Eldar (“Povo das Estrelas”), como eram chamados os Elfos e, usando o nome Annatar (“Senhor dos Presentes”), ele tenta persuadir os Elfos aos seus serviços. Gil-Galad (“Estrela Radiante”), o último rei dos noldor na Terra-média, se recusa a fazer acordo com ele. Mas uma sociedade de artífices em Eregion, chamada de Gwaith-i-Mírdain, (“Povo dos Joalheiros”) passa para o seu lado. Sauron, então, ensina-lhes conhecimentos secretos para a produção de anéis mágicos.

Aproximadamente trezentos anos depois, graças aos ensinamentos de Sauron, e aos seus próprios conhecimentos de artesãos, os ferreiros élficos de Eregion começam a forjar os chamados Grandes Anéis do Poder, depois de já terem criado muitos outros anéis mágicos de poder menor.

Pensando que preveniam ou diminuíam a decadência da passagem do tempo da terra que se alterava e que eles tanto amavam, foram levados a criar os Anéis de Poder, mas na verdade, estavam sendo enganados por Sauron cujo objetivo era dominar toda Terra-média.

Os Anéis não foram feitos como instrumentos de guerra; eles não podiam criar raios ou tempestades de pedra. Entretanto, eles conferiam poderes de acordo com os do seu usuário, ou seja, um Grande Anel nas mãos de uma pessoa fraca e pequena não poderia ter os mesmos efeitos como se estivesse com os sábios ou grandes. Os Anéis aumentavam os poderes naturais de seu possuidor.

Por volta do ano de 1590 da Segunda Era, os Três Anéis Élficos são concebidos e feitos pelo o maior dos artífices de Eregion, Celebrimbor (lê-se Quelebrimbor, na língua dos elfos, significa “Mão de Prata”), neto de Fëanor, que criou as Silmarils.

Os Três Anéis não conferiam invisibilidade, o estado em que o portador fica entre os planos material e espectral, pois este era um poder vindo de Sauron, e ele nunca os tocou.

Os Três Anéis dos Elfos eram os mais bonitos e somente eles tinham nome próprio:

Narya (nar=fogo), o Anel de Rubi, ou Anel Vermelho chamado de Benevolente. Celebrimbor (lê-se Kelebrimbor) entregou este anel a Gil-Galad, que o deu para Círdan (lê-se Kírdan) dos Portos Cinzentos e em seguida para Gandalf.

Nenya (nen=água), o Anel de Diamante, ou Anel Branco, feito de mithril, chamado de Senhor dos Três. Foi dado a Galadriel por Celebrimbor.

Vilya (vil=ar), o Anel de Safira, feito de ouro, chamado de o mais Poderoso dos Três. Elrond recebeu este Anel de Gil-Galad, antes do mesmo morrer na Batalha da Última Aliança.

No início do século XVII da Segunda Era, Sauron forja secretamente o Um Anel, o Anel Governante, em Orodruin (“Montanha do Fogo Ardente”), também chamada Amon Amarth (“Montanha da Perdição”). Ao mesmo tempo, finaliza a construção de Barad-dûr (“Torre Escura”), a monumental fortaleza em Mordor, da qual o Olho de Sauron dirigia as suas forças.

O Um Anel era parte do esquema de Sauron de escravizar e controlar os usuários de todos os Anéis de Poder; e dominar toda a Terra-média.

Celebrimbor percebe as verdadeiras intenções de Sauron. Ele então pega os Três Anéis e viaja para Lothlórien (“Flor de Lórien”), para buscar os conselhos de Galadriel, uma das líderes da rebelião noldorin que abandonaram Valinor, contra a vontade dos Valar, para combater Morgoth na Terra-média.

Ela o aconselha que os Anéis devem ficar espalhados e ocultos, longe de Eregion, local que Sauron acha que eles estão. Celebrimbor dá a Galadriel o Anel Branco e depois viaja até Lindon para entregar o Anel Azul e o Anel Vermelho para Gil-Galad. Os Sete Anéis dos anões e os Nove dos homens são separados.

No ano 1693 começa a guerra entre Sauron, que reivindica os Anéis, e os Elfos que descobrem que foram enganados por ele. Os Três Anéis são escondidos, porque os Elfos não podem destruí-los.

Gil-galad mantém o Anel Azul e dá o Anel Vermelho para o elfo telerin Círdan (“O Armador”), guardião dos Portos Cinzentos. Uma versão diz que Gil-galad manteve também Narya, até a partida para a guerra na Última Aliança quando só aí, o deu para Círdan.

Dois anos depois, buscando tomar os Anéis de Poder, as forças de Sauron, avançam sobre Calenardhon (“A Província Verde”), nome de Rohan quando era a parte setentrional de Gondor, com o objetivo de invadir Eriador.

Gil-Galad envia Elrond (“Abóboda de Estrelas”) para Eregion e também pede auxílio a Tar-Minastir, rei de Númenor (“Terra Ocidental”), a grande ilha preparada pelos Valar como morada para os edain, os homens das Três Casas dos Amigos-dos-Elfos.

Eregion é devastada em 1697 e a cidade de Ost-in-Edhil é saqueada. Sauron pega os Nove Anéis e outros trabalhos menores da Casa dos Mírdain; mas os Sete e os Três ele não pode encontrar.

Então, captura e tortura Celebrimbor que revela apenas o paradeiro dos Sete. Usando o corpo morto de Celebrimbor como um estandarte de batalha, Sauron retorna à guerra e percorre toda Eriador na busca pelos Três Anéis Élficos. Mas ele nunca os encontrou e apenas suspeitou onde estavam ocultos.

A maioria dos Gwaith-i-Mirdain morre. Os portões de Moria são fechados.
Elrond retira-se com os remanescentes dos noldor e funda o refúgio de Imladris, nome em síndarin de Valfenda (“Profundo Vale da Fenda”).

Sauron apossa-se dos Nove Anéis e de pelo menos seis dos Sete

No ano 1700, embora muito atrasada, a grande armada de Númenor enviada por Tar-Minastatir e comandada pelo almirante Ciryatur, chega a tempo de impedir a invasão Lindon.

Na Batalha de Gwathló, Sauron é derrotado, e escapa por pouco. E, com apenas sua guarda pessoal foge, quebrado e humilhado, retornando para Mordor. Jura, então, vingança contra Númenor.

Sauron foi finalmente expulso de Eriador e as Terras do Oeste têm paz por um longo tempo.

Na década seguinte realizou-se o primeiro Conselho, e lá foi determinado que uma fortaleza éfica no leste de Eriador deveria ser mantida em Imladris, e não em Eregion.

Existe a versão de que, também foi nessa época, que Gil-galad ao nomear Elrond Meio-Elfo como seu vice-regente em Eriador, deu Vilya, o Anel Azul, para ele. Mas, que reteve Narya, o Anel Vermelho, até que o deu a Círdan quando partiu de Lindon nos dias da Última Aliança.

No ano 1800, a sombra cai sobre Númenor, eles começam a estabelecer domínios nas costas da Terra-média. Sauron estende seu poder na direção do leste.

Em 2251, os Nazgûl (“Espectros do Anel”), escravos dos Nove Anéis dos homens, aparecem e passam a servir Sauron. Tar-Atanamir toma o cetro. Começa a rebelião e a divisão dos numenorianos.

Obs: na língua de Mordor Nasg significa Anel e Gûl significa Espectros, daí o nome Espectros do Anel.

Em 3262 da Segunda Era, Sauron é levado para Númenor como prisioneiro. Durante mais de cinquenta anos manobrou o rei Ar-Pharazôn para o Culto do Escuro e de Melkor, seu Senhor. E, usando o Um Anel corrompeu e incitou os numenorianos a se rebelarem contra os Valar.

Foi em 3319 que o rei de Númenor acabou convencido por Sauron a quebrar a Interdição dos Valar, que proibia os dúnedain (“Edain do Oeste”), de navegar para o ocidente a tal distância que não pudessem avistar o litoral de Númenor.

O rei Ar-Pharazôn desobedece e chega a Aman, o Reino Abençoado, e às costas de Valinor. Os Valar, então, renunciam a sua autoridade sobre Arda e chamam Ilúvatar que modifica o mundo, afunda Númenor no oceano, e destrói todos os numenorianos, exceto os Elendili (“Amigos-dos-elfos”), os Fiéis.

Sauron afundou também, mas seu espírito fugiu (com o Um Anel) de volta para a Terra-média.

Um ano depois, Elendil (“Amante-das-estrelas”), um dos chefes dos Fiéis funda os Reinos no Exílio: Arnor, ao norte e Gondor, ao sul. Elendil governa Arnor, e seus filhos Isildur e Anárion governam Gondor, em nome de seu pai.

Os sete Palítiri (“As que vigiam de longe”), as Pedras-videntes, são repartidas, ficando três em Arnor, nas torres de Emyn Beraid e de Amon Sûl, e na cidade de Annú. Já as outras quatro foram para Gondor, em Minas Ithil e Minas Anor, em Orthanc e em Osgiliath.

Sauron retorna a Mordor e em 3429, ataca Gondor e captura a torre de Minas Ithil (mais tarde conhecida por Minas Morgul). Isildur foge e junta-se ao seu pai, enquanto seu irmão Anárion resiste às forças de Sauron em Osgiliath e Minas Anor (mais tarde conhecida por Minas Tirith).

As forças de Sauron se mostram muito poderosas e no ano seguinte, Gil-galad e Elendil formam Última Aliança entre elfos e homens para lutar contra o Senhor do Escuro.

Uma versão diz que ao marchar para a guerra, Gil-galad deu Vilya, o Anel Azul, para Elrond Meio-Elfo.

O exército da Aliança marcha ao leste, para o interior da Terra-média, reunindo um imenso exército de elfos e homens e em 3434, atravessa as Montanhas Nevoentas, as forças de Sauron são derrotadas na Batalha de Dagorlad. Aeglos, a lança de Gil-galad e Narsil, a espada de Elendil enchem orcs e homens de medo, pois ninguém consegue resisitir a elas.

A Aliança entra em Mordor e sitia Barad-dûr.

No vale de Gorgoroth, Anárion, filho de Elendil, é morto.

Em 3441, Sauron sai e desafía Gil-galad e Elendil ao combate, matando os dois. A espada de Elendil quebra quando ele tomba, e com o toco de Narsil, Isildur corta o dedo da mão de Sauron arrancando o Um Anel. Isildur toma para si o Anel Governante.

Sauron, derrotado, abandonou seu corpo e fugiu para longe em algum lugar ermo. Os Espectros do Anel desaparecem e Mordor cai, terminando assim a Segunda Era de Arda.

Isildur teve então a grande chance de destruir o Um Anel nas Fendas da Perdição e pôr um fim a Sauron, mas sucumbido pela ambição que o Um Anel gerava em seu coração, foi contra os conselhos de Elrond e tomou para si o artefato maldito.

No segundo ano da Terceira Era, enquanto Isildur marchava para o norte ao longo da margem leste do Grande Rio Anduin, foi surpreendido por um ataque de orcs das Montanhas próximo aos Campos de Lis. Quase todo seu povo foi assassinado e, para fugir, Isildur se jogou no Grande Rio.

Foi então que o Um Anel o traiu e escorregou de seu dedo, revelando sua presença aos orcs que o mataram com flechas. O Um Anel então se perdeu nas profundezas do Anduin, sumindo do conhecimento e das lendas e por quase 2500 anos, não foi encontrado.

Passado o primeiro milênio da Terceira Era, o espírito de Sauron retornou secretamente a Terra-média, na Floresta das Trevas, próximo ao reino élfico de Thranduil, pai de Legolas Verde-Folha.

Esta época é também marcada pela chegada dos Istari na Terra-média, também conhecidos como os “Magos”, poderosos espíritos Maiar que serviam aos Valar nas terras imortais de Valinor. Círdan então entrega Narya, o anel de fogo para Gandalf, o Cinzento.

Em 1200, um dos Espectros do Anel ressurge no norte da Terra-média. O líder dos Nove, o Rei Bruxo reina supremo em Angmar que é destruída em 1975, depois que o líder dos Nazgûl foi derrotado na Batalha de Fornost e perseguido até a Charneca Etten. Ele desaparece do norte.

No ano de 1980, o Rei Bruxo chega em Mordor e lá reúne os Nazgûl. Vinte anos depois, os Nazgûl marcham para Minas Ithil e em 2002 a tomam para si, que passa a ser conhecida como Minas Morgul.

Em 2043, Eärnur assume o trono de Gondor e sete anos depois é desafiado pelo Rei Bruxo, ele cavalga para Minas Morgul e nunca mais é visto. Começa então o governo dos Regentes em Gondor.

Em 2463, o Um Anel é finalmente encontrado por Déagol, o Grado que é morto por Sméagol (posteriormente conhecido como Gollum). Gollum então desaparece nas Montanhas Sombrias onde permanece por 500 anos sendo consumido pelo Um Anel.

No ano de 2845, o Senhor-Anão Thráin II é aprisionado em Dol Guldur e o último dos Sete Anéis dos anões lhe é tomado pelas forças de Sauron.

Em 2941, o Hobbit Bilbo Bolseiro, do Condado parte em uma aventura para a Montanha Solitária, junto com o Mago Gandalf, Thorin Escudo-de-Carvalho e seus seguidores para tomar de volta o tesouro dos anões e a Montanha do dragão Smaug.

Durante essa viagem, eles acabam por passar nas Montanhas Sombrias e, enquanto fugiam de um bando de orcs, Bilbo sofre um acidente e perde a consciência na escuridão. Quando acorda, encontra acidentalmente o Um Anel que Gollum deixara cair no chão.

O Um Anel encontra então um novo portador que o leva das Montanhas Sombrias até a Montanha Solitária e mais tarde para o Condado.

Em 3001, Bilbo completa 111 anos de idade e faz uma festa de despedida para comemorar também o fim da vintolescência de Frodo Bolseiro, seu sobrinho que completava 33 anos. Após a festa, Bilbo vai embora do Condado e deixa para Frodo o Um Anel.

Gandalf desconfia que o Anel de Bilbo é o Anel Governante e redobra a vigilância do Condado, parte em uma viagem para descobrir a verdade sobre a jóia e com a ajuda de Aragorn captura Gollum e confirma o que temia.

Frodo parte então com seus amigos Sam, Merry e Pippin do Condado, encontram com Aragorn “Passolargo” em Bri e se dirigem para Valfenda. Lá encontram Gandalf e descobrem que Saruman, o Mago líder do Conselho Branco os traiu e foi tomado pela influência do Inimigo e que Gollum escapou de sua prisão na Floresta das Trevas.

É formado o Conselho de Elrond para discutir qual será o destino do Um Anel. Para destruí-lo e pôr um fim a Sauron, alguém deve atirar o anel nas Fendas da Perdição, na Montanha de Fogo, em Mordor, onde foi criado. Para isso é formada a Sociedade do Anel, uma comitiva de apenas nove integrantes para não chamar atenção do Inimigo. São eles: Gandalf, Aragorn, Legolas, Gimli, Boromir e os quatro hobbits Frodo, Sam, Merry e Pippin.

A viagem se mostra extremamente perigosa no ano que se passa, levando a comitiva para Moria, onde enfrentam um Balrog, para as florestas de Lórien, as Emyn Muil, onde Boromir morre, os campos de Rohan, a Floresta de Fangorn onde habitam os ents e para Orthanc, fortaleza de Saruman.

Explode a Batalha do Abismo de Helm, onde os Rohirrim derrotam bravamente os Uruk-hai de Saruman e também a grande Batalha nos Campos de Pellenor, que teve a vitória de Gondor graças a intervenção do rei exilado Aragorn, Legolas, Gimli, os dúnedain e o exército de mortos que Aragorn despertou para ajudá-los e assim os libertar da maldição há muito tempo lançada por Isildur.

Com a ajuda de Gollum, Frodo e Sam adentram Mordor e quase são mortos pela aranha gigante Laracna, se disfarçam em meio aos orcs que se preparam para a guerra e conseguem atingir a Montanha da Perdição.

No dia 25 de março do ano 3019 da Terceira Era, acontece a batalha nas Colinas de Lava em Mordor, o exército de Aragorn se encontra cercado e sem esperanças de vitória. Mas neste momento, Gollum e Frodo, ambos tomados pelo grande desejo de tomar para si o Um Anel, lutam nas Fendas da Perdição. Gollum toma o Anel de Frodo lhe arrancando o dedo e em seguida cai no fogo da Montanha, dando um fim a sua vida, ao Um Anel, a Sauron e aos Nazgûl.

Termina assim a Guerra do Anel e Mordor cai, começando um tempo de paz na Terra-média.

No dia 29 de setembro de 3021, os Portadores do Anel, Bilbo e Frodo Bolseiro, juntamente com Elrond, Galadriel e Gandalf, os portadores dos Anéis Élficos partem dos Portos Cinzentos, deixando a Terra-média e indo para as Terras Imortais.

Anel de Barahir - usado por Aragorn

Este anel foi feito há muito tempo pelos elfos em Valinor. Ele tem a forma de duas serpentes gêmeas com olhos de esmeralda, suas cabeças se encontram entre uma coroa de flores de ouro, uma a sustentando e a outra a devorando.

O anel não tem poder algum, mas é de grande valor simbólico, pois homenageia a amizade eterna entre Fingon e os homens da Casa de Barahir. Barahir recebeu a jóia graças a seus feitos heróicos, incluindo o de ter salvado a vida de Fingon, na batalha Dagor Bragollach.

Barahir foi assassinado em Dorthonion, e para provar sua morte a Morgoth, os orcs deceparam sua mão, mas Beren, o filho de Barahir, matou os orcs e recuperou o anel. A partir de então, o anel foi passado de geração para geração até Arvedui, o último rei de Arthedain. Este entregou a jóia como presente de agradecimento por ter seu navio resgatado pelo povo dos Lossoth, os homens das neves da Baía de Forochel, que fica a cerca de 100 léguas ao norte do Condado.

O rei Arvedui disse aos chefes dos Lossoth: “Este é um objeto que vale muito mais do que você possa imaginar. Simplesmente por ser antigo. Não tem poder algum, exceto a estima que lhe dedicam os membros de minha casa. Não vai ajudá-lo em nada, mas, se seu povo tiver qualquer necessidade, meus parentes podem resgatá-lo em troca de um grande estoque de tudo o que vocês desejarem”.

O chefe dos Lossoth tentou convencer Arvedui de não partir antes do próximo verão, pois farejava perigo nos ventos, mas foi em vão. Arvedui partiu com sua embarcação e antes mesmo de atingir o alto mar, foi surpreendido por uma terrível tempestade que causou um naufrágio e ninguém do navio sobreviveu.

Mais tarde, o Anel de Barahir foi resgatado pelos dúnedain e foi mantido em Valfenda juntamente com o cetro de Annuminas, a Estrela do Norte e os fragmentos da espada Narsil.

Durante a época da Guerra do Anel, no fim da Terceira Era, uma comitiva de dúnedain, liderada pelo guardião Halbarad Dúnadan, estava à procura de Aragorn, e o encontraram ainda em Rohan, juntamente com Legolas, Gimli e Merry. Eles estavam acompanhados pelos irmãos Elrohir e Elladan, filhos de Elrond e traziam para Aragorn o cetro de Annuminas e o Anel de Barahir, junto com a mensagem do Senhor de Valfenda.

Com estes artefatos, Aragorn então seguiu viagem para a Senda dos Mortos, e de lá para a grande Batalha dos Campos de Pellenor, no cerco de Gondor.

Elessar/Pedra de Eärendil - usado por Aragorn

Uma grande pedra verde-clara, engastada num broche de prata, moldado na forma de uma águia com as asas abertas. Foi criada na antiga Gondolin pelo elfo Enerdhil, o melhor joalheiro depois que Fëanor morreu.

Na gema estava presa a luz do Sol e as mãos que as possuíssem traziam cura dos ferimentos. Foi dada a Idril que a entregou a seu filho Eärendil, que desapareceu da Terra-média com ela.

Mais tarde, o Istari Gandalf a trouxe de volta, entregando aos cuidados de Galadriel, para com ela, consertar as maravilhas da Terra-média e entregá-la a um homem, que ainda surgiria e estaria destinado a possuí-la, assumindo o nome de Elessar.

Galadriel deu a pedra para sua filha, Celebrían (lê-se Kelebrían), esposa do meio-elfo Elrond, e ela a entregou para sua filha, Arwen que mais tarde a devolveu para Galadriel dizendo que a pedra deveria ser dada a Aragorn II.

Quando a Sociedade do Anel deixou Lothlórien, Galadriel entregou a Aragorn a gema mágica, junto com a bainha da espada Andúril e neste momento, Aragorn assumiu o nome que foi predito para ele: Elessar, Pedra Élfica da casa de Elendil, fixando o broche em seu peito.

Posted by Gui Vivian at 05:41:28 | Permalink | Comments (1) »

Thursday, October 19, 2006

Os Balrogs

Balrogs, criaturas poderosas e mitológicas que nos dias de hoje são lembradas apenas na forma de lendas, ou como histórias que se contam ao lado de uma fogueira para assustar os amigos.

Porém, sua verdadeira origem é mais antiga e eles nem sempre foram maléficos. Ela se inicia durante a formação de Arda, quando os Valar e Maiar trabalharam juntos na contenção dos fogos, no apaziguamento da fúria das águas, no acalmar dos poderosos ventos, e sobretudo na contenção das convulsões da terra. O mais poderoso dos Valar, Melkor, cobiçou Arda e decidiu que ela deveria ser apenas sua… para conseguir isso fez a primeira das guerras, num momento tão antigo que o tempo ainda não era contato por nossas medidas. Com promessas de poder Melkor seduziu alguns dos maiar mais poderosos, os maculou tornando-os malditos e renegados de seu povo. Esses eram maiar de fogo, criaturas poderosas que depois receberam o nome Balrogs.

Balrogs são criaturas da raça Maiar, espíritos mais antigos que o próprio mundo que entraram em Arda para ajudar na formação do lar dos primogênitos. Na primeira Era de Arda, Morgoth seduziu alguns Maiar de Fogo com promessas de poder e supremacia, e eles se tornaram seus servos. Esses Maiar assumiram a forma de seres poderosos, e sua aparência era terrível de se ver. A palavra “Balrog” significa “demônios do terror” na língua Sindarin, em Quenya “Balrog” se escreve “Valarauko”. Abaixo uma passagem descreve bem o que eram os Balrogs:

“… para os Maiar muitos foram os anos de esplendor e grandeza, mas alguns traíram Ilúvatar e tentaram aumentar o papel de sua própria grandeza por interesses mesquinhos, esses foram os corrompidos por Melkor. Terrível entre estes espíritos eram os Valarauko, que na Terra-média foram chamados Balrogs, demônios de terror …” [1]
 

Os Balrogs tinham, provavelmente, uma forma humanóide, com pernas, braços, cabeça e tronco. Mas as semelhanças com um homen acabam por aí, pois suas faces eram terríveis e horrorozamente distorcidas. Tinham uma espécie de juba que tanto poderia se apresentar em chamas ou na forma de uma mancha escura que cobria tudo em volta, e talvez, apenas talvez tenham asas, mas quanto a isso não existe consenso. A melhor descrição de um Balrog é feita por Gandalf quando esteve na ponte de Khazad-dûm:

“… algo estava surgindo atrás deles. O que era não pôde ser visto: estava como uma grande sombra, no meio de qual havia uma forma escura, de forma humana talvez, contudo maior; e um poder e terror pareciam estar nele e a sua frente… sua juba se ascendeu e brilhou atrás dele. Em sua mão direita empunhava uma grande cimitarra com fogo em torno da lâmina; em sua mão esquerda havia um chicote de muitas correias… o inimigo parou novamente, enquanto Gandalf estava na sua frente e as sombras avançaram como duas imensas asas. Elevou o chicote, e as correias estalaram, fogo saiu de suas narinas “. [3]

A arma principal de um Balrog é o “chicote de fogo” que se assemelha a um chicote de muitas tiras e pontas com fogo ardendo ao redor. Essa arma foi usada para quebrar as teias de Ungoliant, a aranha que tentou tomar os Silmarils de Morgoth. O chicote é repetidamente mencionado como a arma preferida dos Balrogs, mas também há registros que os Balrogs da primeira era usaram outras armas. Grandes machados pretos, cimitarras e maças, o Balrog que lutou com Gandalf em Khazad-dûm usou ambas as armas: o chicote de fogo e a cimitarra flamejante.

Apesar de não existirem registros, acredita-se que um Balrog não “precisava” de nenhuma arma para lutar. Seu domínio sobre o fogo, quepodia ser direcionado e lançado sobre seus inimigos, já seria, por si só, uma arma formidável… mas isso é apenas divagação.

Os Balrogs eram originalmente Maiar, seres de puro espírito cujo poder em Arda estava abaixo apenas dos Valar. Os Maiar que se tornaram Balrogs eram de uma classe especial, chamados de Maiar de Fogo. Esses espíritos podiam criar e controlar o fogo sobre si mesmos a até a uma razoável distância. Os Balrogs também podiam usar magia tão bem (se não até melhor) quanto os magos da Terra-média, os Istari. Um bom exemplo do uso de magia por um Balrog ocorre em Khazad-dûm quando Gandalf usa um encanto tentando bloquear uma porta:
” … e me achei de repente enfrentado algo que não tinha encontrado antes. Algo entrou na câmara, eu sentia isto através da porta, os orcs tinham medo e se calaram. Pôs a mão no anel férreo, e então me percebeu e ao meu encanto. O que era que eu não posso adivinhar, mas eu nunca senti tal poder e desafio antes. A contra-magia foi terrível e quase fui destruído. Para um momento a porta saiu do meu controle e começou a abrir! Eu tive que reforçar o encanto, isso provou muito uma tensão muito grande e a porta estourou em pedaços …” [4]

Claramente, o Balrog soube que havia um encanto na porta e também soube que outro espírito de poder igual ao seu o pôs isto lá. e também usou um encanto de para ganhar controle da porta. por serem Maiar tem conhecimentos maiores que a maioria dos Elfos, e certamente superior a de todas as criaturas Mortais. Realmente, Morgoth designou Gothmog, o maior dos Balrogs como Capitão de Angband.

Balrogs eram imensamente fortes e poderosos. A mera presença deles era bastante para causar medo e inércia nos seus inimigos. Note reação de Legolas e Gimli quando vêem o Balrog de Moria pela primeira vez:

“… puxou a corda do arco, mas sua mão caiu e a seta deslizou ao chão. Em seguida soltou um grito de desânimo e medo. Mas não foram os orcs que causaram medo em Legolas. Gimli fitou a forma escura com olhos esbugalhados. “A Ruína de Durin!” ele chorou, e deixando o machado cair ele puxou o capuz cobrindo a face …” [5]

Não é próprio de Tolkien dar múltiplas interpretações a um fato. O Balrog de Moria nunca falou. E não se tem registros, tanto no Senhor dos Anéis quanto no Silmarillion, de qualquer frase ou palavra emitida por um Balrog. Em Moria Gandalf teve que falar para criar o encanto que bloqueou a porta. Seria lógico supor que o Balrog também teria que falar para criar o seu contra-encantamento… mas nem Gandalf nem Pippin ouviram nada. Levando em conta que Gandalf pode perceber o súbito silêncio dos orcs quando o Balrog chegou, é razoável concluir que ele também o ouviria caso falasse alguma coisa.

Por outro lado, um pouco adiante temos a seguinte passagem do livro:

“… batendo o cajado com força na ponte de pedra Gandalf a despedaçou, com um grito terrível o Balrog caiu da ponte e sua sombra mergulhou abaixo desaparecendo no vazio …” [7]

Outro relato interessante e que parece confirmar que os Balrogs falam menciona o Orkish, o idioma negro dos orcs. Dizia-se que Sauron criou esse idioma para ser uma “língua comunal” entre seus servos. Mas com sua queda na guerra da última aliança esse idioma negro foi esquecido por todos, exceto pelos Balrogs e Nazgûls. Eras depois, quando Sauron retornou a Mordor o Orkish voltou a ser o único idioma falado na Torre de Barad-dûr pelos seus capitães e pelos Nazgûl.

  Algumas pessoas tem a firme idéia de que os Balrogs tem asas, e portando, por terem asas, podem voar. Essa idéia de que um Balrog tem asas e pode voar é causada pela descrição do Balrog das Minas de Moria feito pela Companhia do Anel.

“… a forma escura pisou adiante, lentamente avançando para a ponte de pedra, e de repente saltou a uma grande altura, suas asas foram abertas de parede a parede …” [8]

Porém, esta declaração é precedida pela descrição dada acima [3] que sua escuridão estava COMO asas. Tolkien era muito particular no uso de palavras. Se o Balrog tivesse asas que ele não teria usado a palavra “como”. Este uso denota que sua escuridão era tangível e se parecia com asas; não que na verdade teve asas.

“… então de repente Morgoth enviou grandes rios de chama que correram abaixo mais rápido com Balrogs de Thangorodrim, a frente daquele fogo veio Glaurung o dourado, pai dos dragões. E no seu encalço estavam os Balrogs, e atrás deles os exércitos negros de orcs entravam em multidões como o Noldor nunca tinha visto ou tinha imaginado …” [9]

Pareceria que o Balrogs estavam correndo com o fluxo de lava embora não tão rapidamente. Se eles voassem, então Tolkien não teria usado a palavra “correram” como uma comparação em como rápido a lava fluiu. Nós também sabemos que Glaurung era uma grande serpente com pernas e garras, e não um dragão que poderia voar. Isto significa Glaurung corria pela terra, e portanto que os Balrogs corriam atrás dele.

Os Balrogs foram os servos mais poderosos de Morgoth. Eles serviram como seus guarda-costas e como seus capitães nas batalhas contra os Elfos:
“… em lugares profundos e esquecidos foi ouvido um grito. Nos corredores arruinados de Angband, em cavernas nas quais o Valar na pressa do seu ataque não tinha descido, Balrogs ainda espreitam. Eles estavam esperando o retorno do seu senhor; e agora rapidamente surgiram ignorando Hithlum e indo a Lammoth como uma tempestade de fogo. Com seus chicotes de chama eles golpearam as teias de Ungoliant, e ela fugiu e se escondeu …” [10]

O Balrogs também foram enviados por Morgoth para lutar contra os Elfos na Quinta Batalha, a Nirnaeth Arnoediad (a Batalha de Lágrimas Incontáveis) e na Batalha da Queda de Gondolin. Muitos senhores poderosos entre os Noldor caíram ante sua fúria impiedosa.

Os Balrogs foram responsáveis pela morte de muitos Elfos, e até mesmo pela morte de alguns dos mais poderosos Reis dos Noldor e Sindar a Terra-média. O Número de mortos é impossível de ser calculado, mas pode-se citar Fëanor (o Alto Rei dos Noldor), Fingon (o mais nobre dos Noldor), Ecthelion (o guardião de Gondolin) e Glorfindel (em sua primeira encarnação). Uma vez despertado, o Balrog de Moria matou o Rei Durin VI no ano de 1980, e no ano de 1981 matou seu filho herdeiro, Náin. Este mesmo Balrog lutou com Gandalf na ponte de Khazad-dûm… e pode-se dizer que realmente matou Gandalf apesar de primeiro ter sido morto por ele.
“… eu pus abaixo meu inimigo, e ele caiu do topo de Zirakzigil. A montanha ao lado foi despedaçada com o choque de seu corpo. Então a escuridão me levou, e eu vagueei fora do tempo ou de pensamentos, vagueei por estradas que não contarei …” [11]

Nós também temos uma das cartas de Tolkien, onde é atestado definitivamente que o encontro com o Balrog resultou na morte de Gandalf:

“… assim Gandalf enfrentou e sofreu a morte; e voltou ou foi mandado de volta - como diz ele - com poder aumentado e um novo nome: Gandalf, o branco …” [12]

Gothmog, Capitão de Angband, Senhor dos Balrogs. Foi ele que matou Fëanor e Fingon. E na Queda de Gondolin, Gothmog matou Ecthelion.

“… assim foi que ele (Fëanor) avançou para Angband; e vendo os servos de Morgoth ficou em fúria, de lá eles emitiram um pavoroso uivo e Balrogs foram ajudar na luta. Lá nos confins de Dor Daedeloth, a terra de Morgoth, Fëanor foi cercado, com poucos amigos para ajudá-lo. Longamente ele lutou, sozinho pois todos morreram a sua volta, ele foi rodeado por círculos de fogo e ferido muitas vezes; mas golpeou Gothmog, Senhor dos Balrogs a quem Ecthelion depois matou em Gondolin …” [13]

Gothmog e Finglofin

Na última grande batalha da Primeira Era muitos Balrogs foram destruídos, mas alguns escaparam a ira dos Valar e Maiar se escondendo nas cavernas mais profundas e escudas de Angband. O número exato de Balrogs originais não é conhecido, mas dos que sobreviveram Tolkien escreve o seguinte :

“… os Balrogs foram destruídos na terrível guerra dos poderes de Arda, se algum deles sobreviveu se escondeu em cavernas ocultas e inacessíveis nas raízes da terra…” [15]
 
 
Sobre o Balrog de Moria
 
O Balrog de Moria foi despertado pelos Anões no ano 1980, então os habitantes de Khazad-dûm fugiram no ano de 1981. Os anos de abandono de Moria vão até 2480, quando Sauron começou a enviar orcs na tentativa de tomar posse de Moria. Deste ponto até a Guerra do Anel em 3018 os orcs e o Balrog viveram juntos em Moria… um total de 538 anos! Certamente Sauron sabia da existência do Balrog, se não sabia com certeza saberia quando seus orcs chegassem a Moria, e o Balrog parece tolerar a presença deles. É muito difícil acreditar que Sauron poderia dar ordens diretas ao Balrog, ainda mais sabendo que ele estava sem o Um Anel, e portanto muito enfraquecido para dominar uma criatura tão poderosa.

Portando, é lógico presumir que o Balrog agiu da mesma maneira que sua espécie agiu durante toda a história. Quando encontrou Gandalf (que também era um Maiar) ele tentou destruí-lo, pois Gandalf era um servo dos Valar e portanto inimigo eterno dos servos de Melkor. Ou seja, o Balrog atacou Gandalf e permitiu a entrada dos orcs em Moria pelo mesmo motivo: desejo de poder/dominação, e ódio contra os Valar e elfos…

 
Algumas pessoas se questionam como Gandalf soube que era um Balrog que estava em Moria. Legolas imediatamente o reconheceu, mas Gandalf mesmo lutando contra o Balrog na porta por meio de encantamento não soube quem era seu adversário. Gimli porem, só conhece a criatura como a ruína de Durin, ele não sabe que um Balrog é um espírito Maiar de grande poder, servo de Morgoth.
Posted by Gui Vivian at 04:59:46 | Permalink | No Comments »

Tuesday, October 17, 2006

Dragões da Terra Média

O Quenta Silmarillion conta como, na Primeira Era do Sol, Morgoth, o Inimigo Negro escondeu-se nos Abismos de Angband e forjou suas obras-primas do mal a partir da chama e da bruxaria. Essas jóias tenebrosas do gênio de Morgoth eram os Grandes Vermes chamados Dragões. Ele os fez de três tipos: aqueles que eram como grandes serpentes que rastejavam, aqueles que caminhavam sobre pernas e aqueles que voavam, dotados de asas como as do morcego.

Dessas raças havia dois tipos: os Dragões Gelados, que lutavam com presas e garras, e os miraculosos Urulóki ou Dragões Ígneos, que destruíam com sopros de chama. Todos os Dragões eram a corporificação dos piores males dos Homens, Elfos e Anões, e, portanto eram hábeis na destruição dessas raças. Os próprios Dragões eram como grandes exércitos que trabalhavam no sentido dos objetivos de Morgoth. Os répteis eram de um poder e tamanho imenso e eram protegidos por escamas de ferro impenetrável. Suas presas e garras eram como lanças e espadas, e seus calcanhares podiam esmagar a parede de escudos de qualquer exército. Os Dragões Alados varriam a terra abaixo de suas asas como furacões, e os Dragões Ígneos sopravam chamas verdes e escarlates que lambiam a terra e destruíam tudo em seu caminho.

Os Dragões portavam outros poderes mais sutis além do poder da força. Sua visão era mais acurada que a do falcão e nada do que vissem podia escapar-lhes. Eles possuíam uma audição que podia capturar o som da mais leve respiração do mais silencioso dos inimigos, e um faro que lhes permitia nomear qualquer criatura pelo mais leve cheiro da sua carne. A inteligência dos Dragões era famosa, assim como a sua paixão por propor e resolver enigmas. Dragões eram antigas serpentes, e, portanto eram criaturas de enorme esperteza e conhecimento, mas sem sabedoria, pois sua inteligência era obscurecida por sua soberba, gula, cobiça, falácia e fúria.

Tendo sido criados principalmente a partir de elementos de fogo e bruxaria, os Dragões temiam a água e preferiam a escuridão à luz do dia. Sangue de dragão era negro e mortalmente venenoso, e os vapores do seu corpo de verme eram de enxofre escaldante e limo. Seus corpos brilhavam sempre com uma chama forte, como uma pedra preciosa. Sua risada era mais profunda que as profundezas de uma nascente e fazia as próprias montanhas tremer. Os olhos dos Dragões emitiam raios de luz rubi ou luziam como raios vermelhos quando encolerizados. Suas cruéis vozes de réptil eram sussurros ásperos e, combinadas com a intensidade do olho da serpente, invocavam o feitiço de Dragão que dominava inimigos desavisados e os fazia querer se render à espantosa vontade da fera. O primeiro dos Dragões de Fogo, os Urulóki, a ser criado por Morgoth em Angband foi Glaurung, Pai dos Dragões. Depois de apenas um século sendo criado e crescendo nas cavernas, Glaurung irrompeu em fúria ardente do portão de Angband e apareceu para um mundo espantado.

Os elfos que guardavam Angband ficaram deveras espantados com Glaurung, muitos simplesmente fugiram dele com medo de seu hálito de fogo e seus olhos penetrantes. Mas uma guarda de arqueiros élficos montada fez um círculo ao redor de Glaurung, e suas longas flechas eram fortes a ponto de penetrar na couraça do dragão que teve que fugir de volta a Angband ou ser morto, pois neste momento Glaurung ainda eram jovem e não tinha sua pele suficientemente endurecida. Assim a primeira aparição do Verme de Morgoth foi rápida e mal causou danos, e assim mesmo uma dura provação aos Noldor que cercavam Angband.

Apesar de não pertencer à raça alada que mais tarde surgiria, Glaurung era o maior terror da sua época. Ele queimou e tornou selvagens as terras dos Elfos em Hithlum e Dorthonion antes de Fingon, príncipe de Hithlum, tê-lo feito recuar. Morgoth, no entanto, estava descontente com Glaurung por sua impulsividade, pois ele havia planejado que os Dragões deveriam crescer até o seu poder total antes de revelá-lo para o Mundo desavisado. Para Glaurung o seu ataque não passava de uma aventura adolescente - um teste juvenil de poder. Apesar de ter sido terrível para os Elfos, sua força mal estava desenvolvida e sua armadura de escamas ainda estava penetrável às armas.

Devido a isso Morgoth manteve Glaurung dentro de Angband por outros dois séculos antes de soltar os Urulóki. Este foi o começo da Quarta Batalha nas Guerras de Beleriand que ficou conhecida como a Batalha da Chama Súbita, quando Glaurung o Grande Verme, no auge do seu poder, liderou as forças de Morgoth na batalha contra os Altos Elfos de Beleriand. Seu grande tamanho e seu fogo abrasador abriram um caminho entre os exércitos de seus inimigos, e com os demônios de Morgoth, os Balrogs, e legiões negras de orcs inumeráveis, ele quebrou o cerco a Angband e trouxe desespero aos Elfos.

Na Quinta Batalha, chamada de Batalha das Lágrimas Incontáveis, Glaurung causou uma destruição ainda mais terrível, pois nessa altura ele tinha (da maneira misteriosa dos Dragões) dado origem a uma ninhada de Dragões Ígneos e Dragões Gelados menores para segui-lo na guerra. Tanto exércitos de Elfos como de Homens caíram diante desse ataque furioso, e ninguém podia suportar a chama do Dragão a não ser os Anões de Belegost, que tinham vindo lutar contra o inimigo comum. Dizem as lendas que a última de todas as forças a permanecer firme foi a dos anões de Belegost, que, por isso, ganhou fama pois os Naugrim suportavam o fogo mais valentemente do que os Elfos ou os Homens e, ademais, era seu costume usar em combate grandes máscaras, horríveis à vista; e isso dava-lhes vantagem contra os dragões. Se não fossem eles Glaurung e sua prole teriam destruído tudo quanto restava dos Noldor.

Mas os Naugrim fizeram um círculo à volta dele quando os assaltou, e nem a sua poderosa armadura resistiu totalmente aos golpes dos seus grandes machados; e quando na sua ira Glaurung se voltou e derrubou Azaghâl senhor de Belegost, e rastejou sobre ele, com o último alento Azaghâl cravou-lhe uma faca na barriga, e de tal modo o feriu que ele fugiu do campo de batalha, e as feras de Angband, apavoradas fugiram atrás dele.

Então os anões levantaram o corpo de Azaghâl e levaram-nos com passos lentos, caminharam atrás dele a cantar em voz profunda, como se fora uma pompa fúnebre na sua terra, e não prestaram mais atenção aos seus inimigos, e nenhum ousou detê-los. Glaurung foi também a principal arma de Morgoth durante ataques a fortalezas élficas. Quando ocorreu o saque a Nargothrond, o Verme de Morgoth estava lá, Glaurung avistou Túrin e falou: “Salve filho de Húrin, bom encontro”. Túrin, enlouquecido de ódio atacou Glaurung que ficou parado e abriu por completo seus olhos, que eram como olhos de serpente. Sem medo Túrin sustentou-lhe o olhar enquanto erguia a espada, e imediatamente ficou sob o encanto do dragão. Então Glaurung falou novamente: “Ruins tem sido teus atos, filho de Húrin. Andas como um príncipe enquanto tua irmã e mão caminham pela terras ermas como mendigas, mas tu não te importas com isso. Feliz ficará teu pai ao saber que tem tal filho, pois há de sabe-lo”. E Túrin, sob o encantamento de Glaurung, escutou e acreditou nestas palavras. Vendo que suas mentiras tiveram efeito Glaurung libertou Túrin, que saiu correndo em busca de sua família sem nem ao menos pensar no que estava fazendo, e glaurung riu-se disso.

Então, vendo que todos s elfos de Nargothrond haviam sido mortos ou aprisionados e que Túrin não o incomodaria mais por longo tempo, Glaurung decidiu fazer sua a fortaleza semi-destruída. Expeliu fogo que queimou tudo a seu redor, ordenou a todos os orcs que estavam ocupados saqueando Nargothrond que parassem e recusou-lhes o que haviam roubado até a última moeda. Depois destruiu a ponte de pedra sobre o Narog e reuniu todo o tesouro e riquezas de Finrod, fez com elas um monte e deitou-se sobre ele no maior de seus salões. Glaurung era agora o novo Senhor de Nargothrond.

Morgoth usou Glaurung para manter territórios que conquistava; mas a força na batalha não era o único poder que o monstro conhecia. Ele trouxe muitos para o seu controle com o poder dominador do seu olho de serpente e a sua hipnótica fala. Anos depois de Glaurung ter saqueado e devastado o reino de Nargothrond, o “Narn i Hîn Húrin” relata com ele foi morto pelo mortal Túrin Turambar. O dragão encontrava-se em Cabed-en-Aras, onde o rio corria numa garganta profunda e estreita que poderia ser ultrapassada apenas por um salto de gamo. Túrin decidiu que esperaria Glaurung passar, e então, estando abaixo de seu ventre desprotegido o atacaria e mataria. Túrin desembaiou sua espada, Gurthang, e com toda a força de seu braço e ódio cravou-a no ventre mole do verme de Morgoth. Quando Glaurung sentiu o golpe mortal soltou um berro medonho e caiu no abismo, onde ficou se debatendo em espasmos e jatos de fogo que levaram a ruína todo o vale a sua volta.

Túrin caminhou até onde estava a carcaça de Glaurung, agarrou sua espada e zombou do dragão: “Salve verme de Morgoth, esse é um feliz reencontro, morre agora e que a escuridão te devore, assim fica vingado Túrin, filho de Húrin”. Depois arrancou a espada, mas um jato de sangue negro e venenoso saiu com ela e queimou-lhe a mão. Glaurung ainda não estava morto e abriu os olhos olhando Túrin com tal perversidade que ele sentiu como uma pancada, por isso e pela dor do ferimento desfaleceu. Glaurung morreu instantes depois, mas antes teve tempo de amaldiçoar novamente Túrin e Nienor, sua irmã, e foram as palavras finais do dragão que causaram suas mortes. Com isso morreu Glaurung, pai dos dragões, o Grande Verme de Morgoth e flagelo de elfos e homens.

Mas apesar de Glaurung ser chamado de Pai dos Dragões, o maior Dragão que um dia entrou no Mundo era aquele chamado Ancalagon o Negro. “Mandíbulas Impetuosas” é o significado do seu nome, e sua majestade voraz devastou o exército do Ocidente na Grande Batalha e a Guerra da Ira no final da Primeira Era do Sol. Dos fossos de Angband saíram os dragões alados, que nunca tinham sido vistos antes; e tão súbito e ruinoso foi o aparecimento dessa temível esquadra que a hoste dos Valar recuou, pois a vinda dos dragões foi acompanhada de grande trovoada e relâmpagos e de uma tempestade de fogo.

Ancalagon

Mas Eärendil chegou, ofuscante em uma chama branca, e à volta de Vingilot estavam reunidas todas as grandes aves do céu, e Thorondor era o seu capitão; travou-se combate no ar durante todo o dia e uma negra noite de dúvida. Antes do nascer do Sol, Eärendil. matou Ancalagon, o Negro, o mais poderoso da hoste dos dragões, e arremessou do céu; e ele caiu nas torres de Thangorodrim, que foram destruídas pela ruína do dragão. Então, o Sol nasceu, a hoste dos Valar predominou e quase à noite todos os dragões estavam destruídos; e todas as minas de Morgoth foram atacadas, e as forças dos Valar desceram às profundezas da terra.

Thorondor

Tão grande foi a derrota dos Dragões na Grande Batalha que apenas na Terceira Era do Sol que as histórias da Terra-média falam novamente de Dragões. Nesse tempo eles habitavam as regiões desertas além das Montanhas Cinzentas do Norte. E, segundo consta, sua cobiça os trouxe à riqueza escondida dos Sete Reis dos Anões. O maior de todos os dragões das Montanhas Cinzentas era aquele chamado Scatha o Verme, que expulsou os anões de suas mansões aterrorizados. Porém um príncipe dos Homens ficou e lutou. Este era o guerreiro Fram, filho de Frumgar, comandante da Éothéd, e Scatha foi morto por suas mãos. Contudo, foi um alívio apenas temporário do terror que se escondia nas montanhas, pois logo depois muitos Dragões Gelados voltaram às Montanhas Cinzentas. Apesar da defesa dos Anões ser valente e forte, eles foram esmagados; um por um seus guerreiros caíram e as ricas e auríferas Montanhas Cinzentas foram deixadas inteiramente para os Dragões.

 Scathe

 

No século 28 da Terceira Era, a cronologia das Terras Ocidentais relata que o mais poderoso Dragão dessa Era veio do Norte para o grande reino dos Anões em Erebor, a Montanha Solitária. Esse Dragão Ígneo chamado Smaug o Dourado era imenso e tinha asas de morcego e era uma maldição de terror para os Anões e para os Homens. Com sua chama de Dragão abrasadora, Smaug arruinou a cidade dos homens de Dale e quebrou a porta e a muralha do Reino Anão na Montanha Solitária. O primeiro sinal dele da vinda de Smaug foi um barulho como um furacão vindo do norte, e os pinheiros das montanhas chiando e estalando com o vento.

 Alguns dos anões por acaso estavam do lado de fora quando, de uma boa distância, o dragão pousou na montanha num jato de fogo. Então ele desceu as encostas e, quando atingiu a floresta ela se incendiou inteira. Naquele momento todos os sinos estavam repicando em Vale e os guerreiros estavam se armando. Os anões correram para fora pelo seu grande portão, mas lá estava o dragão à espera deles. Nenhum escapou por ali. O rio se ergueu em vapor e um nevoeiro cobriu Vale, e no nevoeiro o dragão avançou sobre eles e destruiu a maioria dos guerreiros; a triste história de sempre, isso era muito comum naquela época. Depois voltou e se arrastou através do Portão Dianteiro e saqueou todos os salões e alamedas; e túneis, becos, adegas, mansões e corredores. Depois disso, não restaram anões vivos no lado de dentro, e ele pegou toda a riqueza deles para si. Provavelmente, pois esse é o jeito dos dragões, empilhou tudo num grande monte bem no interior da montanha, e dorme sobre ela como se fosse uma cama.

Assim, por dois séculos, Smaug reinou em Erebor sem ser desafiado. No entanto, no ano de 2941 uma companhia de aventureiros veio até a montanha; doze Anões liderados pelo rei legítimo de Erebor, Thorin Escudo-de-Carvalho, e um mercenário hobbit que se chamava Bilbo Baggins. Eles aproximaram-se do Dragão em segredo e ficaram espantados, uma vez que Smaug era maior do que poderiam ter imaginado e brilhava vermelho-dourado com uma fúria viperina. Ele também era protegido, como toda a sua raça, com escamas de ferro, mas por cautela ele também tinha protegido seu ventre macio da batalha; enquanto ele deitava estirado sobre a riqueza do seu tesouro, deixou que diamantes e gemas afiadas incrustassem no seu ventre, e desta forma curou sua única fraqueza. Assim, usando de esperteza o Hobbit Bilbo Baggins descobriu o único ponto no largo ventre da fera que não estava coberto de jóias, onde o aço afiado poderia penetrar.

Quando Smaug foi encolerizado pelos aventureiros, ele saiu em fúria e jogou o seu fogo sobre a terra. Por vingança, foi até Esgaroth no Lago Comprido, uma vez que os Homens do Lago haviam ajudado os aventureiros, lá vivia um Nórdico, valente e forte, chamado de Bard o Arqueiro que, guiado pelo segredo da fraqueza do Dragão. Smaug arremeteu contra a Cidade do Lago várias vezes, a última mais baixo do que nunca e, no momento em que se voltava para o mergulho, sua barriga brilhou, branca, as chamas das gemas faiscando no luar - exceto em um ponto. O grande arco zuniu. A flecha negra voou da corda, direto para o vazio no lado esquerdo do peito, perto de onde saía a pata dianteira.

Ali entrou e sumiu, farpa, haste e pena, tão violento foi seu vôo. Com um guincho que ensurdeceu os homens, derrubou árvores e partiu pedras, Smaug arremessou-se em chamas pelo ar, virou-se e caiu das alturas, derrotado. Caiu bem em cima da cidade. Seus últimos espasmos transformaram-na em centelhas e brasas. O lago invadiu-a com um rugido. Quando atingiu o lago o calor do seu corpo levantou ondas de vapor, tão forte era o calor que guerreiros chegavam a fugir das proximidades da água. Assim morreu Smaug, o Vermelho, o maior dos Dragões da Terceira Era. E daquela época em diante, tomaram-se de pavor pela água na qual o dragão jazia. Ele nunca mais retornaria ao seu leito de ouro, mas estava frio como pedra, retorcido sobre o fundo dos baixios. Ali, durante eras, seus enormes ossos podiam ser vistos quando o tempo era bom, em meio ás pilastras arruinadas da velha cidade. Mas poucos ousavam atravessar o ponto amaldiçoado, e ninguém atrevia-se a mergulhar na água gelada ou resgatar as pedras preciosas que caíam de sua carcaça putrefata.

Corriam rumores que os Dragões continuaram por muitos séculos a habitar o Deserto Nórdico além das Montanhas Cinzentas, mas nenhuma notícia chegou aos Homens da Terra-média falando novamente dessas criaturas maléficas, apesar de magníficas.

Posted by Gui Vivian at 06:41:55 | Permalink | No Comments »

Panteão da Terra Média

Melkor - O Que Sobe em Poder: O nome Melkor significa “aquele que sobe em poder”. Mas ele desmereceu esse nome, e os Noldor chamaram-lhe Morgoth, o Inimigo Escuro do Mundo. Melkor era a princípio o mais poderoso dos Valar, mas usava seus poderes e conhecimentos para maus fins, esbanjava força, violência e tirania pois cobiçava Arda e tudo que nela houvesse. Melkor tentou de todas as formas roubar para si tudo que pudesse ver, e o que não conseguia roubar ele deformava ou destruía tomado de inveja. Ele não estava só, muitos Maiar foram seduzidos pelas suas promessas de poder.

 Manwë - O Senhor do Hálito de Arda: Manwë e Melkor eram irmãos no pensamento de Ilúvatar. O mais poderoso dos Ainur que desceram a terra, era a princípio, Melkor. Mas Manwë é mais querido a Ilúvatar e compreende mais claramente seus propósitos. Foi destinado a ser, na plenitude dos tempos, o primeiro de todos os reis. O Senhor dos reinos de Arda e soberano de todos que nele vivessem. Em Arda o seu deleite está nos ventos e nas nuvens, e em todas as regiões do ar, das alturas aos abismos, das mais extremas fronteiras do véu de Varda às brisas que sopram na erva. Súlimo é o seu codnome (Senhor do Hálito de Arda).

 Varda - A Senhora das Estrelas: Com Manwë habita Varda, Senhora das Estrelas que conhece todas as regiões de Ëa. A sua beleza é tão grande que não pode ser descrita em palavras dos Homens ou dos Elfos, pois a luz de Ilúvatar ainda vive no seu rosto. Na luz está o seu poder e a sua ventura. Das profundezas de Ëa ela acudiu em socorro a Manwë, pois Melkor conhecia-o antes mesmo da composição da música e repelia-o, e ele odiava-o mais que a todos os outros feitos por Eru. Manwë e Varda raramente se separam e vivem em Valinor. As suas mansões situam-se acima da neve eterna, e Oiolossë, a mais remota torre de Taniquetil, a mais alta de todas as montanhas da Terra.

 Ulmo - O Senhor das Águas: Ulmo é o Senhor das Águas. Está só, não habita muito tempo em lugar algum, movimenta-se como lhe apetece em todas as águas profundas em volta da terra um dentro dela. Segue-se em poder a Manwë, e antes de Valinor ser feita era o mais próximo a ele em amizade; mas depois disso raramente se apresentou nos conselhos dos Valar, a não ser que assuntos importantes estivessem em debate, pois mantém toda a Arda no pensamento e não tem necessidade de nenhum lugar de repouso.. Ademais, não gosta de andar sobre a Terra, e é raro vestir-se com um corpo a maneira de seus pares.. Se os filhos de Eru o olhavam, ficavam cheios de grande temor pois a ascensão do Rei dos Mares era terrível como uma vaga montanhosa que avança sobre a terra, de elmo escuro coroado de espuma e cota de malha a brilhar de prata, até as sombras de verde

Aulë - O Ferreiro dos Valar: Aulë tem pouco menos poder que Ulmo. O seu domínio exerce-se cobre as substâncias de que Arda foi feita. Ao princípio fez muito de camaradagem com Manwë e Ulmo, e o afeiçoamento de todas as terras foi labor seu. É ferreiro e mestre de todos o mister, e deleita-se em trabalhos de perícia por pequenos que sejam, assim como nas portentosas construções de antanho. Suas são as gemas que jazem nas entranhas da terra, e é seu o outro que é belo na mão, não menos do que as paredes das montanhas e as bacias do mar.

 Yavanna - A Doadora de Frutos: Yavanna é a esposa de Aulë, a doadora de frutos. Ama todas as coisas que crescem na terra e todas as suas incontáveis formas conserva na memória, das árvores como torres na floresta de á muito tempo, ao musgo das pedras ou as pequenas e secretas coisas do bolor. Em reverência Yavanna fica em seguida a Varda entre as rainhas dos Valar. Com forma de mulher é alta e se veste de verde, mas às vezes assume outras formas. Á quem a tenha visto como uma árvore que se ergue no céu coroado pelo sol, e de todos os seu ramos corria um orvalho dourado para a terra árida, e esse terra se tornava verde e rica.

 Vairë - A tecelã: Vairë é a esposa de Mandos. Ela é chamada de A Tecelã, e tece todas as cosas que jamais aconteceram no tempo, nas suas famosas teias as mansões de Mandos se alargam continuamente com o passar das eras, estão delas revestidas.

 Nessa - A esposa de Tulkas: é a Senhora da Alegria e da Celebração. Ela é a especialmente descpreocupada e bela esposa de Tulkas. De todas as Valar femininas, apenas Vána possui um espírito mais fogoso. Como seu marido, Nessa ama correr, jogar, e rir, tendo prazer na celebração da vida. Ela incorpora o prazer e a alegria e nunca pensa em usar armas.Sobre tudo, entretanto, Nessa dança. Alegremente agitando-se nos gramados verdes de Valinor, ela regozija-se em dançar sempre que está em casa. Em terra selvagens, ela esportivamente corre como o amado cervo que a acompanha em cada travessura, sabendo sempre que ela pode correr mais do que qualquer besta que a siga. Apenas Tulkas e Oromë são mais rápidos a pé.

Nienna - A Valië da Compaixão: Nienna tem mais poder que Estë é irmã dos Fëanturi, vive só. Está familiarizada com o sofrimento e padece com todas as feridas que Arda sofreu através das desfigurações de Melkor. Tão grande foi seu sofrimento quando a música se desenrolava que o seu canto se transformou num lamento muito antes do fim, e o som da lamentação foi entristecido nos temas do mundo antes de ele começar. Mas ele não chora por si própria, e aqueles que a escutam apreendem a ter compaixão e na esperança encontram resistência.

 Mandos - O Júiz dos Valar: O verdadeiro nome de Mandos é Námo, ele mas ele é conhecido por todos pelo nome do lugar onde habita em Mandos que fica a acidente de Valinor. Ele é o mais velho dos Fëanturi, é o Guardião da casa dos mortos e aquele que convoca os espíritos dos que estão mortos. Não esquece nada e sabe todas as coisas que acontecem, salvo apenas os que ainda se encontram na liberdade de Ilúvatar. É o juiz dos Valar, mas só pronuncia as suas sentenças e seus destinos a mando de Manwë.

 Lórien - O Senhor dos Sonhos: O verdadeiro nome de Lórien é Irmo, ele também é conhecido por todos pelo nome do lugar onde habita, é irmão de Mandos e um dos Fëanturi. É o senhor das visões e dos sonhos, em Lórien se situam os seus jardins, na terra dos Valar, e são os mais belos de todos os lugares do mundo, e cheios de muitos espíritos.

 Estë - A Curadora: Estë a suave, a saradora de fadigas, é a esposa de Lórien. Cinzento é o seu trajar e o repouso é o seu dom. Não se vê de dia, e dorme em uma ilha arborizada de Lórellin. Das fontes de Lórien e Estë recebem apaziguamento todos os que vivem em Valinor, e muitas vezes os Valar vão também a Lórien para encontrar descanso e repouso do fardo de Arda.

 Tulkas - O Valente: O maior em força e proezas é Tulkas, que tem o sobrenome de Astaldo, O Valente. Foi o último a chegar a Arda, para ajudar os Valar nas primeiras batalhas contra Melkor. Deleita-se em lutas e em demonstrações de força, e não cavalga nenhum corcel pois é capaz de superar a velocidade de qualquer coisa que correm sobre pés, e é incansável.. O seu cabelo e sua barba são dourados, avermelhada é sua carne, e as suas armas são suas mãos. Pouca importância liga ao passado ou ao futuro, e não vale nada como conselheiro, mas é um amigo firme.

 Oromë - O Caçador: Oromë é um senhor poderoso. Se por um lado é menos forte que Tulkas, por outro é mais temível quando encolerizado. Oromë amava as terras da Terra-média e deixou-as contrariado, e foi o último a chegar a Valinor; e com freqüência, antigamente, retrocede aos montes e as planícies. É caçador de monstros ferozes, deleita-se com cavalos e cães de caça, e ama todas as árvores. Por essa razão é chamado Aldaron, e pelos Sindar Tauron, o Senhor das Florestas.

 Vána - A Sempre Jovem: Vána é a esposa de Oromë, chamada de “a sempre jovem” também é a irmã mais nova de Yavanna. Todas as flores rebentam quando ela passa e desabrocham se ela as olhar; e todas as aves cantam com sua chegada. Vána tem a natureza jovem e indomada, ela é a personificação da vida entre os Valar e para aqueles que lhe vejam. Sua alma fogosa a leva ao deleite com a música, e aqueles que lhe ouvem sentem a memória de sua juventude retornar e a disposição dos velhos dias na alma e no corpo.


 

Posted by Gui Vivian at 05:45:45 | Permalink | No Comments »

Os Valar

Havia Eru, o Único, que em Arda se chama Ilúvatar; ele fez primeiro os Ainur, os Sagrados, que eram filhos do seu pensamento e que estiveram com ele antes de alguma coisa mais ser feita. E falava-lhes, propondo-lhes temas de música; e eles cantavam perante ele, que ficava satisfeito.

Mas, durante muito tempo, cantavam só um de cada vez, ou poucos juntos, enquanto os restantes escutavam, pois cada um compreendia apenas aquela parte da mente de Ilúvatar donde proviera e só lentamente ia compreendendo os seus irmãos. No entanto, todas as vezes que escutavam, adquiriam uma compreensão mais profunda, e a sua unissonância e harmonia aumentavam. E veio a acontecer um dia que Ilúvatar reuniu todos os Ainur e lhes comunicou um tema portentoso, mostrando-lhes coisas maiores e mais maravilhosas do que até então lhes revelara; e a glória do seu começo e o esplendor de seu fim de tal modo maravilharam os Ainur que eles se curvaram diante de Ilúvatar e ficaram silenciosos.

Então, Ilúvatar disse-lhes: “Do tema que vos anunciei quero agora que façais juntos, em harmonia, uma grande música. E, como acendi em vós a chama imperecível, demonstrareis os vossos poderes no adorno deste tema, cada um com os seus próprios pensamentos e engenho, se assim quiser. Mas eu ficarei sentado e escutarei e feliz me sentirei por, através de vós, grande beleza ter despertado num canto.”

Então as vozes dos Ainur, traduzidas por harpas e alaúdes, flautas e trompas, violas e órgãos e por incontáveis coros cantando com palavras, começaram a moldar o tema de Ilúvatar numa grande música; e ergueu-se um som de intermináveis e intermutáveis melodias entretecidas em harmonia, um som que, ultrapassando o ouvido, se propagou às profundidades e às alturas, e os lugares de habitação de Ilúvatar encheram-se a transbordar, e a música e o eco da música chegaram ao vazio, que deixou de ser vazio. Jamais desde então fizeram os Ainur qualquer música como essa, embora tenha sido dito que outra ainda mais grandiosa será ouvida perante Ilúvatar pelos coros dos Ainur e pelos filhos de Ilúvatar depois do fim dos dias. Então, os temas de Ilúvatar serão tocados corretamente e assumirão um ser no momento da sua expressão, pois todos compreenderão totalmente a intenção dele na sua parte e cada um terá a compreensão de cada qual, e Ilúvatar, satisfeito, dará aos pensamentos deles o fogo secreto.

Mas, desta vez, Ilúvatar sentou-se a escutar e durante muito tempo achou bem, pois não havia erros na música. Mas à medida que o tema se desenvolvia, entrou no coração de Melkor a vontade de entretecer nele assuntos da sua própria imaginação que não estavam de acordo com o tema de Ilúvatar, pois procurava, assim, aumentar a força e a glória da parte que lhe fora destinada. A Melkor, entre os Ainur, tinham sido dados os maiores dons do poder e conhecimento, e ele compartilhava de todos os dons dos seus irmãos. Fora muitas vezes sozinho aos lugares vazios à procura da flama imperecível, pois crescia, ardente, nele o desejo de dar vida a coisas suas e parecia-lhe que Ilúvatar não pensava no vazio e estava impaciente com esta vacuidade. Contudo, não encontrou o fogo, pois ele estava com Ilúvatar. Mas, sozinho, começara a conceber pensamentos próprios, diversos dos seus irmãos.

Alguns desses pensamentos entreteceu agora na sua música e imediatamente houve dissonância à sua volta; muitos que cantavam perto dele ficaram desanimados, e o seu pensamento foi perturbado e a sua música vacilou; mas alguns começaram a afinar a sua música pela dele em vez de ser pelo pensamento que tinham ao princípio. Então a desafinação de Melkor alastrou ainda mais, e as melodias antes ouvidas soçobraram num mar de turbulento som. Mas Ilúvatar continuou sentado e a ouvir até parecer que à volta do seu trono havia uma tempestade violenta, como de águas escuras que se guerreavam entre si numa fúria infinita, que não se apaziguava.

Então Ilúvatar levantou-se e os Ainur perceberam que sorria; e ergueu sua mão esquerda e um novo tema começou no meio da tormenta, igual ao tema anterior e, todavia, diferente, e ganhou força e nova beleza. Mas a desafinação de Melkor ergueu-se num clamor e contendeu com ele, e houve de novo uma guerra de som mais violenta do que antes, até muitos dos Ainur ficarem assombrados e não cantarem mais e Melkor a ficar com a supremacia. Ilúvatar voltou a levantar-se e os Ainur perceberam que o seu rosto estava severo; levantou a mão direita e - pasmai! - no meio da confusão surgiu um terceiro tema, que era diferente dos outros, pois parecia ao princípio suave e doce, um mero ondular de brandos sons em delicadas melodias, mas não podia ser estancado e revestiu-se de força e profundidade.

E pareceu, por fim, que duas músicas progrediam ao mesmo tempo diante do trono de Ilúvatar e estavam em absoluta discordância. Uma era profunda, vasta e bela, mas lenta e impregnada de incomensurável mágoa, donde provinha principalmente a beleza. A outra, entretanto atingira uma unidade própria, mas era ruidosa, presunçosa e infindávelmente repetida, e tinha pouca harmonia, mas antes um clamoroso uníssono como de muitas trompas a estrondear com poucas notas. E tentava afogar a outra música com a violência da sua voz, mas parecia que as suas notas mais triunfantes eram absorvidas por aquela e entretecidas no seu próprio e solene padrão.

No meio da contenda, em que as mansões de Ilúvatar estremeceram e um tremor percorreu os silêncios ainda não perturbados, Ilúvatar levantou-se uma terceira vez e o seu rosto era terrível de se ver. Então levantou ambas as mãos e, num acorde mais profundo que o abismo, mais alto do que o firmamento e penetrante como a luz dos olhos de Ilúvatar, a música cessou.

Então, Ilúvatar falou e disse: “Poderosos são os Ainur e o mais poderoso dentre eles é Melkor; mas, para que ele saiba, e todos os Ainur, que sou Ilúvatar, as coisas que cantastes vos mostrarei, para que possais ver o que fizestes. E tu, Melkor, verás que nenhum tema pode ser tocado se não tiver a sua suprema fonte em mim, nem pode ninguém modificar a música a despeito meu. Pois aquele que o tentar apenas provará ser meu instrumento na invenção de coisas mais maravilhosas que ele próprio não imaginara”.

Então, os Ainur tiveram medo e não compreenderam ainda as palavras que ouviram; e Melkor ficou cheio de vergonha, da qual nasceu secreta cólera. Mas Ilúvatar ergueu-se em esplendor e partiu das belas regiões que fizera para os Ainur, e os Ainur seguiram-no. Mas quando chegaram ao vazio, Ilúvatar disse-lhes: “Olhai a vossa música!” E mostrou-lhes uma visão, dando-lhes vista onde antes houvera só ouvido; e viram um mundo novo, tornado visível para eles, um mundo feito globo no meio do vazio e nele sustentado, mas que não era parte dele. E, enquanto olhavam e se maravilhavam, esse mundo começou a desenrolar a sua história e pareceu-lhes que vivia e crescia. E, quando os Ainur tinham olhado um bocado e estavam silenciosos, Ilúvatar repetiu: “Olhai a vossa música! Esta é a vossa arte de menestréis; e cada um de vós achará aqui contido, entre o desígnio que vos apresentei, todas aquelas coisas que lhe podem parecer terem sido por ele próprio inventadas e acrescentadas. E tu, Melkor , descobrirás todos os pensamentos secretos da tua mente e compreenderás que são apenas parte do todo e tributários da sua glória.”

Assim, os Ainur tiveram sua participação na criação do mundo, algo novo que ainda não havia sido imaginado e que agora existia pairando no firmamento… então houve desassossego entre os Ainur, mas Ilúvatar falou-lhes e disse: “Conheço o desejo das vossas mentes de que o que vistes exista verdadeiramente, não só no vosso pensamento mas também como vós próprios existis, e, contudo, diferentemente. Por isso, eu digo: Eä! Que estas coisas existam! E enviarei para o vazio a flama imperecível e ela ficará no coração do mundo, e o mundo existirá; e aqueles de vós que quiserem ir para ele.” E, de súbito, os Ainur viram ao longe um luz, como se fosse uma nuvem com um coração vivo de chama, e souberam que não se tratava apenas de uma visão, mas sim que Ilúvatar fizera um coisa nova: Eä, o mundo que existe.

Aconteceu, assim, que dos Ainur alguns residiam ainda com Ilúvatar fora dos confins do mundo, mas outros, e entre eles muitos dos maiores e mais belos, despediram-se de Ilúvatar e desceram ao mundo. Mas uma condição Ilúvatar impôs , mesmo que se trate da necessidade do amor por eles, e foi a condição de que o poder dos que tal escolheram ficasse daí em diante contido e limitado no mundo, para ficar dentro dele para sempre, até estar completo, de modo que eles são a sua vida e ele é a vida deles. E por isso se chamam os Valar, os poderes do mundo.

Mas, quando entraram em Eä, os Valar ficaram, ao princípio, estupefatos e sem compreender, pois não parecia nada ter sido ainda feito do que tinham visto na visão e tudo estar apenas a começar e ainda informe, e era escuro. É que a grande música fora apenas o desabrochar e o florescimento do pensamento nas mansões eternas e a visão somente fora uma prefiguração; mas agora tinham entrado no princípio do tempo, e os Valar perceberam que o mundo não fora mais do que prenunciado e pré cantado, e eles tinham de realizá-lo.

Assim começaram os seus grandes labores em desertos incomensuráveis e inexplorados, durante eras incontáveis e esquecidas, até, nas profundezas do tempo e no meio das imensas mansões de Eä, chegarem aquela hora e aquele lugar em que foi feita a morada dos filhos de Ilúvatar. E, desse trabalho, a parte principal foi assumida por Manwë, Aulë e Ulmo; mas Melkor também lá esteve desde o princípio e intrometeu-se em tudo quanto foi feito, afeiçoando-o, se era possível, aos seus próprios desejos e propósitos, e ateou grandes fogos. Portanto, quando a Terra ainda era jovem e cheia de flama, Melkor cobiçou-a e disse aos outros Valar: “Este será o meu reino, e meu o proclamo!”

Mas Manwë era irmão de Melkor na mente de Ilúvatar e o principal instrumento do segundo tema que Ilúvatar apresentara contra a desafinação de Melkor; e chamou a si muitos espíritos, tanto maiores como menores, e estes desceram aos campos de Arda e ajudaram Manwë, não fosse Melkor impedir para sempre a realização do seu labor e a Terra murchar antes de florir. E Manwë disse a Melkor: “Este reino não tomarás injustamente como teu, pois muitos outros aqui trabalharam não menos do que tu.” E houve contenda entre Melkor e os outros Valar; e, por essa vez, Melkor recuou e partiu para outras regiões, nas quais fez como lhe aprouve, mas não tirou do coração o desejo do reino de Arda.

Então, os Valar assumiram forma e cor; e, como tinham sido atraídos para o mundo por amor dos filhos de Ilúvatar, pelos quais esperavam, assumiram forma de acordo com o que tinham visto na visão de Ilúvatar, exceto apenas em majestade e esplendor. De mais, a sua forma provém do seu conhecimento do mundo visível, mais do que do próprio mundo; e não precisam dela,, a não ser apenas do mesmo modo que nós precisamos de vestuário, apesar de podermos estar nus sem sofrermos nenhuma perda do nosso ser. Por isso, os Valar podem andar, se lhes aprouver, despidos, e, assim, nem mesmo os Eldar podem claramente aperceber-se deles, conquanto estejam presentes.

Mas, quando desejam vestir-se, os Valar assumem formas, algumas de macho e outras de fêmea, pois essa diferença de condição tinham-na mesmo desde o seu princípio e é somente corporizada na escolha de cada um, e não feita por essa escolha, assim como nós, machos e fêmeas, podemos ser revelados pelo trajo, mas sem que seja o trajo que tal nos faça. Mas as formas de que os grandes se revestem nem sempre são como as formas dos reis e das rainhas dos filhos de Ilúvatar, pois às vezes podem vestir-se com o seu próprio pensamento, tornado visível em formas de majestade e esplendor.

Assim começou a primeira batalha dos Valar com Melkor pelo domínio de Arda; e, desses tumultos, os Elfos pouco sabem, pois o que foi aqui declarado proveio dos próprios Valar, com quem os Eldalië falaram na terra de Valinor e por quem foram instruídos; mas pouco quiseram os Valar dizer das guerras anteriores à chegada dos Elfos.

No entanto, diz-se entre os Eldar que os Valar sempre tentaram , a despeito de Melkor, dominar a Terra e prepará-la para a vinda dos primogênitos; e construíram terras e Melkor destruiu-as, escavaram vales, que Melkor soergueu, esculpiram montanhas, que Melkor arrasou, abriram mares, que Melkor derramou; e nada podia ter paz ou crescimento duradouro, pois assim que os Valar iniciavam um labor, tão logo Melkor o desfazia ou corrompia. E, todavia, o labor deles não foi todo em vão; e, embora em parte nenhuma e em trabalho nenhum fossem a sua vontade e o seu propósito totalmente cumpridos e todas as coisas fossem em tonalidade e em forma diversas dos que os Valar ao princípio tinham planejado, mesmo assim, lentamente, a Terra foi moldada e tornada firme. E, assim, foi finalmente estabelecida a habitação dos filhos de Ilúvatar nas profundezas do tempo e no meio de inúmeras estrelas. 

Posted by Gui Vivian at 00:40:35 | Permalink | Comments (3)

Monday, October 16, 2006

Os Nazgûl

Na língua de Mordor, Nasg, significa Anel e Gûl, significa Espectros.

Era do Sol surgiram na Terra-média os nove espectros no anel, seres poderosos que no idioma orc foram chamados de Nazgûl. De todos os servos de Sauron, tanto em Mordor quanto em toda Arda, os Nazgûl provaram ser os maiores. É dito que os Nazgûl foram antigamente poderosos Reis e Feiticeiros entre os homens, e a cada um deles Sauron enviou um dos nove anéis do poder. Estes anéis eram os nove dos dezenove anéis mágicos feitos por Celebrimbor e os ferreiros élficos de Eregion sob a tutela de Sauron.

Sauron deu esses Anéis dos homens ainda na Segunda Era do Sol, e por muitos anos os homens os usaram pensando que comandavam seus poderes, mas na verdade estes anéis eram governados pelo Um Anel de Sauron. O uso de um Anel do Poder dava a seu possuidor poderes especiais, vida longa, saúde perfeita, invisibilidade, e sentidos aguçados… mas embora os portadores dos anéis vivessem muito mais que seus companheiros humanos suas formas enfraqueceram e começaram a desaparecer. Antes do terceiro século eles se transformaram completamente em espectros, totalmente dominados pelo Um Anel, e conseqüentemente pelo Senhor dos Anéis. Os arrogantes homens que usaram os Anéis agora pagavam um alto preço pela sede de poder, haviam se tornado fantasmas, espectros escravizados por Sauron.

Assim, os espectros do anel vagaram por toda a Terra-média, cometendo atos de destruição e semeando discórdia a mando de sauron. Eles usavam grandes capotes pretos sobre malhas de aço e capacetes de ferro fundido, contudo abaixo disso tudo haviam apenas mortalhas, e seus corpos eram invisíveis e etéreos. Qualquer um que olhou na face de um Nazgûl se retirou em horror, por isso portavam capacete e capuz sobre o rosto. As vezes aparecia em suas faces o brilho luminoso de dois olhos hipnóticos… que em ira se tornavam uma chama vermelha infernal.

Os Nazgûl podem sentir a presença de outros seres vivos, existe o rumor que podem mesmo sentir o cheiro de sangue quente. Durante o dia eles se movimentam pouco e vêem muito mal, dependem fortemente das suas montarias para “ver” e “ouvir” o que está em volta. Mas durante a noite reinam absolutos. Na escuridão pouco lhes escapa, podem ver e ouvir longe… tanto no mundo real como no mundo dos espíritos no qual estão meio dentro, e meio fora. Suas armas eram muitas, eles levavam espadas de aço e de chama, maças e punhais com lâminas envenenadas ou mágicas. Usavam feitiços para envenenar e causar incêndios, e a maldição do hálito negro era como uma pestilência de desespero, seu terror gelou o coração de muitos dos seus maiores inimigos.

Os Nazgûl eram intocáveis para as armas mortais, a menos que a lâmina usada fosse encantada ou feita por elfos. Afora essas exceções, qualquer arma que os golpeou acabou murcha e enegrecida. Uma das poucas coisas que os Nazgûl temem é o fogo. Por serem criaturas da noite e do frio, é natural que tenham aversão ao calor e a luz do fogo, mas não é possível destruir um Nazgûl apenas por isso. Porém o fogo pode ser uma grande arma para distrair e enfraquecer esses espectros.

Assim durante mil anos de Segunda Era do Sol, os Nazgûl em nove cavalos negros varriam a Terra-média como um pesadelo de horror. Em todo esse tempo eles fizeram guerra, com Sauron e o Um Anel como senhores. Eles são imortais e não pereceriam até que o próprio reino de Mordor fosse destruído e a torre negra de Barad-dûr tombada. Com o tempo uma grande aliança entre homens, anões e elfos foi feita contra Sauron. Isildur, o Dúnedain, dominava Gondor… e foi ele quem cortou o dedo da mão de Sauron que segurava o Um Anel, com isso os Nazgûl foram varridos para as sombras ou outros lugares perdidos das terras orientais onde não podiam assumir nenhuma forma de poder.

Assim, os Nazgûl se tornaram impotentes durante treze séculos na Terceira Era do Sol. Porém o Um Anel não tenha sido destruído, e Sauron voltou em nova forma. No décimo quarto século, ele chamou os Nazgûl para fora das sombras. Os oito cavaleiros negros surgiram no leste, e o maior deles veio do norte, de Eriador para o Reino de Angmar e construiu uma grande fortaleza em Carn Dûm, onde reuniu legiões de orcs. Por mais de seis séculos houve guerra sem tréguas em Eriador. Os Nazgûl dominavam os acontecimentos, sendo o maior deles nomeado Bruxo-rei de Angmar.

As guerras controladas pelo Rei Bruxo foram terríveis para os Dúnedain. A torre de Amon Sul, a mais importante fortaleza de Gondor próxima as fronteiras de Cardolan e Rhudaur foi cercada em 1409 pelos orcs de Angmar. Os Dúnedain resistiram por meses ao cerco e luta constante, mas enfim foram derrotados e todos mortos. A Poderosa torre foi saqueada e queimada até suas raízes, mas seu mais precioso tesouro, a Palantír, foi salva e levada em segredo para Fornost. Os reino de Cardolan foi devastados, Rhudaur foi ocupada por homens quase piores que orcs, servos do Rei Bruxo. Arveleg era senhor dos exércitos de Gondor naquelas terras, e apesar de jovem era um guerreiro valente… ele pediu ajuda a Círdan e expulsou os inimigos de Fornost e das terras ao norte, e por algum tempo ouve paz.

Em 1974 o poder de Angmar despertou em fúria novamente. O Rei dos Bruxos reuniu exércitos que estavam ocultos e atacou Arthedain antes do final do inverno. Ele tomou Fornost e expulsou a maioria dos Dúnedain restantes, entre eles os filhos do Rei. Mas o próprio Rei Arvedui escapou por pouco fugindo para o norte com alguns membros de sua guarda após resistir nas colinas o máximo possível.

O rei teve que buscar auxílio entre os homens das neves de Forochel. Eles tinham medo do Rei dos Bruxos, mas ajudaram o Rei por receio de sua ira. Por semanas Arvedui viveu entre a neve, até que um navio mandado por Círdan o resgatasse. Mas sua má sorte não terminava, pois o navio naufragou e Arvedui morreu… com isso o Reino do Norte terminou, e o Rei Bruxo venceu uma grande batalha. Uma por uma as grandes províncias e cidades caíram, até que no outono chegaram mensagens a Gondor dizendo que Arthedain estava em grandes dificuldades, e o Rei Bruxo estava preparando um último grande golpe contra aquele reino.

Então Eärnur foi enviado com uma esquadra para socorrer Arthedain o mais rápido possível. Foi tarde demais, antes de Eärnur chegar o Rei Bruxo havia conquistado Arthedain e destruído Arvedui. Porém quando a esquadra de Eärnur chegou aos Portos Cinzentos ouve grande alegria e surpresa, tanto entre elfos quando homens, pois um poderoso exército estava desembarcado dos navios. Pelo menos assim pareceu a quem assistiu, mas esse era apenas uma pequena fração do poder dos Dúnedain.

Círdan convocou todos os que estavam dispostos a marchar contra o Rei Bruxo, e o exército marchou em direção ao norte. Neste época Fornost encheu-se de orcs e homens vis, e o Rei Bruxo estava tão confiante em seu poder que nem esperou o ataque de seus inimigos em sua fortaleza, mas saiu com a intenção de atacar os atacantes. O choque dos exércitos foi tremendo, mas a força de Gondor e dos Elfos era mais forte do que o Rei Bruxo calculou, e seus exércitos já estavam cedendo e se retirando em direção a Fornost. Nisso o principal grupo de cavaleiros dos Dúnedain dispersando as forças de Angmar em meio a grande tumulto, e o Rei dos Bruxos teve que fugir da luta com as poucas tropas que pode salvar, fugiu para Angmar, mas antes que pudesse chegar a fortaleza de Carn Dûm foi alcançado pela cavalaria dos Dúnedain liderada por Eärnur e ao mesmo tempo por uma força élfica liderada por Glorfindel de Valfenda.

Assim o poder de Angmar foi esmagado, não restando nenhum homem ou orc daquele reino a oeste das montanhas nubladas. Mas conta-se que, quando tudo estava perdido, o Rei dos Bruxos apareceu em pessoa, vestido de negro, com uma máscara preta e montado num cavalo também negro. O medo dominou todos que o contemplaram, mas ele escolheu Eärnur para descarregar sua ira e com um grito terrível cavalgou direto para ele. Eärnur teria lhe feito frente, mas seu cavalo tomado de medo irracional fugiu descontrolado antes de ser dominado.

Então o Rei Bruxo riu, e ninguém que ouviu aquele terrível riso conseguiu esquecê-lo,. Mas Glorfindel avançou com seu cavalo branco, e em meio ao riso o Rei Bruxo se virou e fugiu para dentro das sombras, e ninguém viu para onde foi. Com nisso o reino de Eriador obteve a grande vitória da guerra, mas teve seu poder já em queda muito diminuído. A posse do reino dos Dúnedain pelo bruxo-rei de Angmar teve vida curta. Em 1975 ele foi derrotado pelo exército dos Altos-Elfos de Círdan e Glorfindel, e por Eärnur, rei de Gondor na batalha de Fornost. Mas o rei-bruxo e seu mestre Sauron já contavam com isso, pois o resultado da batalha não era de grande interesse. Seu principal objetivo havia sido o enfraquecimento dos Reinos de Eriador de Gondor, e isso foi conseguido… uma grande vitória para os poderes negros.

O bruxo-rei de Angmar chamou os Nazgûl das terras arruinadas de Eriador e voltaram para Mordor. Mas Sauron ainda não estava em Mordor, ele se escondeu em Dol Guldur, na escuridão de Mirkwood. Estavam em Mordor oito dos Nazgûl que haviam vindo secretamente três séculos antes, e tinham estado a trabalhar para restaurar o poder de Sauron. Para isso reuniram grandes hordas de orcs e no ano 2000 os nove Nazgûl foram lutar contra os Dúnedain do sul em Gondor… dois anos depois a fortaleza oriental, Minas Ithil foi tomada. Os Nazgûl fizeram deste lugar uma fortaleza do mal, e a chamaram de Minas Morgul. O maior dos Nazgûl, o bruxo-rei de Angmar, foi chamado de Morgul, e usava uma coroa de aço.

Quando Eärnur foi coroado Rei de Gondor, o Rei de Minas Morgul enviou uma embaixada desafiando o Rei para um combate homem a homem, escarnecendo dele, dizendo que Eärnur não ousara lhe fazer frente na batalha do norte. Mardil, o regente, conteve a ira do Rei, mas isso só foi conseguido a grande custo. Sete anos após sua coroação, o Senhor de Morgul enviou nova embaixada e repetiu o desafio, ele desdenhou do Rei dizendo que tinha coração fraco e estava velho. Então Mardil não pode mais conte-lo, e com uma pequena escolta Eärnur cavalgou para Minas Morgul. Nunca mais se ouviu falar daquela comitiva ou do próprio Rei Eärnur, mas acredita-se que o inimigo matou todos na escolta, e capturou Eärnur que morreu sob torturas em Minas Morgul. Com isso o Nazgûl assassinou o último Rei de Gondor com sangue puro, e a linhagem dos Reis foi rompida por quase mil anos.

Porém foi apenas no ano de 2951 que Sauron veio a Mordor e se declarou abertamente para a Terra-média. Ele temia se declarar abertamente antes daquele tempo por medo de que o possuidor do Um Anel o destruísse. Mas os sábios da Terra-média sabiam que era Sauron quem estava em Mirkwood, e sabiam que o rei-bruxo de Angmar era um dos Nazgûl da Segunda Era. No ano 3018 da terceira Era do Sol teve início a Guerra do Anel.

Por isso, quando Osgiliath foi tomada e a ponte destruída, Sauron interrompeu o ataque e os Nazgûl receberam ordem para iniciar a procura do anel. Mas Sauron não subestimou os poderes e a vigilância dos sábios e foi ordenado aos Nazgûl que procedessem o mais secretamente que pudessem. Ora, nessa altura o capitão dos espectros do anel habitava em Minas Morgul com seis companheiros, enquanto o que se lhe seguia, Khamûl, a Sombra do Leste, habitava em Dol Guldur como tenente de Sauron, com outro como seu mensageiro.

O senhor de Morgul conduziu, portanto os seus companheiros pelo Anduin, sem vestes nem montadas e invisíveis aos olhos, mas mesmo assim um terror para todas as coisas vivas perto das quais passavam. Foi, talvez, no primeiro dia de Julho que partiram. Passaram lenta e secretamente através de Anórien, e pelo vau da Água do Ent, e avançavam, e ia à sua frente um bafo de escuridão e de medo que os homens não sabiam de onde vinha. Chegaram às costas ocidentais do Anduin um pouco a norte de Sara Gebir, ponto de encontro combinado, e aí receberam cavalos e vestes, que foram secretamente transportados pelo rio. Isto foi (julga-se) por volta de 17 de Julho. Depois seguiram para norte em busca do Shire, a terra dos Hobbits.

Cerca de 22 de Julho encontraram-se com os seus companheiros, os Nazgûl de Dol Guldur, no Campo de Celebrant. Aí souberam que Gollum enganara tanto os orcs que o tinham recapturado como os elfos que os perseguiam, e desaparecera. Foi-lhes também dito por Khamûl que não se tinham descoberto nenhumas habitações de Hobbits nos vales do Anduin e que as aldeias dos Stoors, junto do Iris, havia muito que estavam desertas. Mas o senhor de Morgul, não vendo melhor solução, determinou que continuassem a procurar para norte, esperando talvez encontrar Gollum e, também, descobrir o Shire. Que viesse a verificar-se não ficar este longe da odiada terra de Lórien, se é que não ficava mesmo no interior das cercas de Galadriel, era coisa que lhe não parecia improvável. Mas o poder do anel branco ele não desafiaria, nem entraria por enquanto em Lórien. Passando, portanto, entre Lórien e as montanhas, os nove cavalgaram sempre para norte; e o terror ia à sua frente e permanecia atrás deles; mas não encontravam o que procuravam nem sabiam quaisquer notícias que os ajudassem.

Por fim regressaram; mas o verão já estava muito no fim e a ira e o medo de Sauron cresciam. Quando voltaram ao rio Wold, chegara Setembro; e lá encontraram mensageiros de Barad-dûr com ameaças do seu amo, as quais encheram de pavor até o próprio senhor de Morgul. Pois Sauron soubera, entretanto, das palavras de profecia ouvidas em Gondor, da partida de Boromir, dos atos de Saruman e da captura de Gandalf. Destas coisas concluíra que nem Saruman nem qualquer outro dos sábios estava ainda de posse do anel, mas que Saruman pelo menos sabia onde ele podia estar escondido. Agora só a rapidez teria algum préstimo, e o segredo deveria ser abandonado.

Os espectros do anel receberam, por isso, ordem para irem direitos a Isengard. Cavalgaram, portanto, através de Rohan, apressadamente, e o terror da sua passagem foi tão grande que muita gente fugiu da terra e seguiu desvairadamente para norte e oeste, convencida de que a guerra vinda do Oriente chegaria na pegada dos cavalos negros. Dois dias depois de Gandalf ter partido de Orthanc, o senhor de Morgul parou diante da porta de Isengard. Então Saruman, já cheio de ira e medo pela fuga de Gandalf, compreendeu o perigo de se encontrar entre inimigos, sendo ademais traidor conhecido de ambos. O seu terror era grande pois a esperança de enganar Sauron ou pelo menos de receber o seu favor na vitória, estava completamente perdida.

Agora de duas uma: ou ele próprio se apoderava do anel ou esperavam-no a ruína e a tortura. Mas continuava cauteloso e astucioso, e organizara Isengard precisamente contra uma tão má eventualidade. O Círculo de Isengard era tão forte que nem mesmo o senhor de Morgul e a sua companhia o poderiam atacar sem grande força de guerra. Por isso, em resposta ao seu chamamento e às suas exigências, o senhor de Morgul recebeu apenas o som da voz de Saruman, que por qualquer arte dir-se-ia vir da própria porta.

Tal era ainda o poder da voz de Saruman que nem mesmo o senhor dos Nazgûl punha em dúvida o que ela dizia, quer fosse falso, quer ficasse aquém da completa verdade. Em vez disso, partiu imediatamente da porta e começou a procurar Gandalf em Rohan. Foi assim que ao anoitecer do dia seguinte os cavaleiros negros encontraram Gríma, Língua de Verme, quando este se apressava a levar a Saruman notícia de que Gandalf tinha ido a Edoras e avisado o rei Théoden dos desígnios traiçoeiros de Isengard. Nessa hora o Língua de Verme esteve perto da morte pelo terror; mas, habituado à traição, nem sequer seria necessária a ameaça para que dissesse tudo quanto sabia.

- Sim, sim, na verdade posso dizer-vos, senhor - afirmou. - Escutei a sua conversa juntos, em Isengard. A terra dos Hobbits: foi daí que Gandalf veio e é lá que deseja regressar. Agora procura apenas um cavalo. Poupai-me! Falo o mais depressa que posso. Para ocidente através do desfiladeiro de Rohan, além, e depois para norte e um bocadinho para oeste, até o próximo grande rio barrar o caminho. Enxurrada Cinzenta se chama. Daí, do vau em Tharbad, a estrada velha conduzir-vos-á às fronteiras. O Shire lhe chamam. Sim, na verdade, Saruman sabe da sua existência. Recebe mercadorias dessa terra pela estrada. Poupai-me, senhor! Claro que nada direi do nosso encontro, a coisa que viva.

O senhor dos Nazgûl poupou a vida a Língua de Verme, não por piedade, mas por achar que era tão grande o seu terror que ele jamais ousaria falar do seu encontro (como se provou ser verdade), e também por ver que a criatura era perversa e muito capaz de fazer ainda grande mal a Saruman. Se vivesse. Por isso, deixou-o caído no chão e afastou-se, e não se deu ao trabalho de voltar a Isengard. A vingança de Sauron podia esperar.

Dividiu então a sua companhia em quatro pares, que cavalgaram separadamente, mas ele próprio foi à frente com o par mais veloz. Assim saíram de Rohan, exploraram a desolação de Enedwaith e chegaram por fim a Tharbad. Daí cavalgaram através de Minhiriath, e, embora estivessem juntos, uma atmosfera de terror alastrava à volta deles, e os seres selvagens escondiam-se e homens isolados fugiam. Mas capturaram alguns fugitivos na estrada; e, para deleite do capitão, provou-se que dois eram espiões e servidores de Saruman. Um deles tinha sido muito utilizado no tráfico entre Isengard e o Shire, e, embora ele próprio nunca tivesse passado para além do Farthing meridional, tinha mapas elaborados por Saruman que representavam e descreviam claramente o Shire. Os Nazgûl apoderaram-se deles e depois mandaram-no para Bree e ordenaram-lhe que continuasse a espiar, mas advertiram-no de que estava agora ao serviço de Mordor, e se alguma vez tentasse regressar a Isengard, o matariam pela tortura.

A noite dissipava-se, em 22 de Setembro, quando voltaram a reunir-se e chegaram ao vau do Sarn e às fronteiras mais meridionais do Shire. Encontraram-nas guardadas, pois os caminhantes barraram-lhes o caminho. Mas tratava-se de uma tarefa que ultrapassava o poder dos Dúnedain; e talvez continuasse a ultrapassá-lo mesmo que o seu capitão, Aragorn, se tivesse encontrado com eles. Mas estava ausente para norte, na estrada oriental, perto de Bree. E até a coragem dos Dúnedain os atraiçoou. Alguns fugiram para norte, na esperança de levarem notícias a Aragorn, mas foram perseguidos e mortos ou repelidos para os ermos. Alguns outros ainda ousaram barrar o vau, e defenderam-no enquanto viveram, mas à noite o senhor de Morgul rechaçou-os e os cavaleiros negros entraram no Shire; e antes de os galos cantarem, às primeiras horas do dia 23 de Setembro, alguns cavalgavam para norte através da terra, precisamente quando Gandalf, montando Scadufax, cavalgava muito atrás, em Rohan.

Mas os Nazgûl não conseguiram se apoderar do Um Anel, pois quando estavam as portas de Rivendell os nove espectros foram arrastados pelo rio em uma correnteza invocada pelo Mago Gandalf e Elrond. Com seus cavalos mortos os Nazgûl foram forçados a recuar de volta a Mordor:

Naquele momento, houve um trovão e um estrondo: um ruído enorme de águas fazendo rolar muitas pedras. Com a visão embaçada, Frodo conseguiu distinguir o movimento do rio embaixo dele se levantando, e descendo seu curso veio uma cavalaria emplumada de ondas brancas. Parecia a Frodo que chamas brancas piscavam nas cristas das ondas, e ele imaginou enxergar no meio da água cavaleiros brancos sobre cavalos brancos, com crinas espumantes. Os três Cavaleiros que ainda estavam na água sucumbiram, desapareceram subitamente cobertos pela espuma furiosa.

Os que estavam atrás recuaram, com medo. Com os sentidos já bem fracos, Frodo escutou gritos, e teve a impressão de ver, atrás dos Cavaleiros que hesitavam na beira da água, uma figura brilhante de luz branca; e atrás dela corriam pequenas formas sombrias, acenando com chamas, que brilhavam na névoa cinzenta que caía sobre o mundo. Os cavalos negros ficaram alucinados, e, pulando para frente, apavorados, conduziram os cavaleiros para dentro da enchente que avançava. Seus gritos agudos foram afogado no ruído do rio, que os carregava para longe.

Ainda assim, eles reapareceram em formas ainda mais poderosas, não em corcéis, mas em bestas aladas para as quais os elfos e os homens não tinham nenhum nome conhecido, eram seres antigos que haviam entrado no mundo antes do início da contagem do tempo. Embora tivessem bico e garra essas montarias não eram pássaros, e nem mesmo morcegos… eram seres serpentinos como dragões, contudo mais velhos. Eles foram feitos por Melkor, o mestre de Sauron, nas covas sujas de Utummo onde a serpente Kraken e outras criaturas vis e vulgares tinham surgido. Alimentadas das carnes dos orcs e crescido mais que qualquer outra criatura do ar, as bestas aladas levaram os Nazgûl alto e acima das terras com a velocidade dos ventos.

Na guerra do Anel, apesar de seu poder e ferocidade os Nazgûl estavam em perigo mortal, pois o Um Anel estava em poder de seus inimigos. O Senhor dos Nazgûl, que não poderia ser morto pela mão de nenhum homem teve seu fim pelas mãos de Éowyn de Rohan e do hobbit guerreiro Meriadoc Brandebuck na batalha de Pelennor Fields. Embora oito dos Nazgûl permanecessem eles foram destruídos logo; como eles foram lutar no portão negro de Morannon ficaram longe do portador do Anel. Assim que Sauron soube que Frodo estava na encosta da Montanha do Destino ele mandou todos os Nazgûl para lá.

Montados em suas bestas aladas os Nazgûl voaram com a força do desespero para Orodruin, em vão, pois o anel caiu no fogo da montanha e foi desfeito. Naquele momento Sauron foi destruído e toda Mordor estremeceu com a perda do seu poder mágico. Desmoronou o portão negro, e a torre de Barad-dûr, e em meio a seu vôo os Nazgûl tombaram gritando em chamas escarlates.

Posted by Gui Vivian at 22:15:23 | Permalink | No Comments »

Os Istari

Embora os Istari tenham vindo secretamente e em uma forma humilde, inicialmente, antes de sua chegada à Terra-média eles eram espíritos poderosos. Eram Maiar, espíritos mais antigos que o próprio Mundo e a primeira raça a vir da mente de Ilúvatar nos Salões Eternos. No entanto, no diminuto mundo da Terra-média na Terceira Era eles foram proibidos de mostrar seu poder como Maiar. Eles estavam limitados à forma humana e aos poderes que pudessem ser encontrados dentro do mundo mortal.

Não se sabe ao certo quantos Maiar existem, mas com certeza são muitos, quase formando uma verdadeira legião. Os Balrogs foram Maiar que passaram para o lado negro e se tornaram servos de Morgoth… e existem muitos outros que não entraram no mundo preferindo ficar junto de Ilúvatar. Embora se tenha conhecimento de que cinco Istari vieram a Terra-média, apenas três são mencionados nas histórias que vieram a ser conhecidas pelos Homens, uma vez que cogita-se que os outros dois foram para o Oriente e não tiveram nenhum papel no destino das Terras Ocidentais.

O primeiro a ser mencionado e o mais louvado na Quarta Era foi Gandalf, o Cinzento. Ele foi chamado pelos Elfos de Mithrandir, pelos Anões de Tharkûn, e de Incánus pelos Haradrim. Como um Maia nas Terras Imortais ele era chamado de Olórin e considerado o mais sábio do seu povo. Naquele tempo ele residia nos jardins de Lórien, Senhor das Visões e Sonhos, e também ia freqüentemente à casa de Nienna a Pranteadora. Tendo o Vala Lórien por tutor nos jardins a sabedoria de Olórin cresceu ainda mais por muitas Eras. Igualmente aconselhado por Nienna na sua casa, voltada para as Muralhas da Noite, piedade e resistência, além de esperança, foram somadas à sua sabedoria.

Dentre todos os Istari, Gandalf é considerado o maior, pois foi através de sua sabedoria que os povos livres da Terra-média foram guiados para a vitória contra o Senhor das Trevas Sauron, que queria escravizá-los. Nisto Gandalf foi ajudado por Narya, o anel élfico do fogo dado por Círdan, Senhor dos Portos Cinzentos. Esse anel tinha o poder de inspirar coragem e firmeza aos Homens. Gandalf instigou a morte do dragão Smaug, e as vitórias na Batalha dos Cinco Exércitos em Hornburg, e na Batalha dos Campos do Pelennor. Unicamente pelas mãos de Gandalf o Balrog de Moria foi destruído. Contudo, o maior dos seus feitos foi a descoberta do Um Anel e sua orientação ao Portador do Anel ao local de destruição do anel. Por esta ação o Anel foi desfeito, e Sauron e todos os seus servos e todos os seus reinos foram trazidos à sua completa ruína. Através deste único feito, a tarefa de Gandalf na Terra-média foi completada, e assim, acabou a Terceira Era, com a partida de Gandalf para as Terras Imortais.

Segundo dentre os Istari é Radagast o Castanho, que vivia em Rhosgobel nos Vales do Anduin. Radagast teve uma parte no Conselho Branco que foi criado para resistir contra Sauron, mas parecia que sua maior preocupação era com os Kelvar e os Olvar da Terra-média, e pouco é dito dele nas crônicas daquele tempo. Ele era mais sábio do que qualquer Homem no que diz respeito a plantas e animais. É dito que ele sabia falar muitas línguas dos pássaros e até mesmo os Beornings, e os Homens da Floresta de Mirkwood, e os poderosos Ents, guardiões da Floresta de Fangorn falavam com reverência da sabedoria de Radagast o Castanho, pois no conhecimento da floresta ele não tinha quem se igualasse. Ele se apaixonou pelas florestas e animais que nelas viviam, e esqueceu qual era seu verdadeiro propósito na Terra-média. Com isso se tornou um figura querida por muitos, mas em sua inatividade permitiu o aumento da sombra de Mordor.

O último dentre os Istari é Saruman o Branco, que os Elfos chamavam Curunír, ou “Homem Engenhoso”. Quando os Istari foram criados, Saruman era considerado o maior da sua Ordem, tinha aparência nobre e altiva, e era de fato, um dos maiores sábios das terras mortais. Tão poderoso era Saruman que, quando os maiores elfos e homens da Terceira Era criaram o Conselho Branco em oposição a Sauron, foi escolhido como líder deste conselho… ainda que Galadriel tenha sido contrária a sua nomeação.

Por muitos séculos Saruman vagueou pelas terras da Terra-média e procurou avidamente destruir Sauron, o Senhor das Trevas… mas após um certo tempo tornou-se orgulhoso e desejoso de poder para si. No ano de 2759, Saruman veio para Isengard, e Beren, o Mordomo Reinante de Gondor, lhe outorgou a chave da torre de Orthanc porque ensinara-se que os Istari ajudariam os Homens de Gondor e os Rohirrim na guerra contra os orcs, Easterlings e Dunlendings.

No entanto, Saruman criou ali uma poderosa fortaleza de poder maligno e convocou legiões de orcs e Uruk-hai, meio-orcs e Dunlendings para servi-lo. Em sua ganância pelo poder, Saruman enviou orcs para roubar o Um Anel, e se possível, matar todos da companhia. Isso foi a causa da morte de Boromir de Gondor, (que mesmo morrendo matou toda uma companhia de orcs) e da parcial destruição da Companhia do Anel. Mas Frodo e Sam fugiram antes da batalha, e ele não consegui o que mais queria, apoderar-se do Um Anel. Saruman tentou de várias maneiras converter a sua causa os outros Istari, como Gandalf. Mas apenas ele tinha se maculado com a ambição pelo poder. Saruman enviou Radagast ao Shire, ele sabia que Gandalf estava próximo a aquelas terras, e Radagast havia sido enviado na tentativa de enganar Gandalf levando-o a Isengard onde ele esperava corromper o mago para seus próprios propósitos… ou pelo menos conseguir algumas novas informações sobre o Um Anel.

No fim de junho Gandalf estava no Condado, mas uma nuvem de ansiedade cobria sua mente, e ele foi até a fronteira Sul da pequena terra; pois tinha pressentimento de algum perigo, ainda oculto, mas que se aproximava. Ali, mensagens chegaram até ele contando sobre guerra e derrota em Gondor, e quando ouviu sobre a Sombra Negra, sentiu um frio no coração. Mas nada encontrou, a não ser alguns fugitivos do Sul; mesmo assim tive a impressão de que sentiam um medo que não mencionavam.

Foi então em direção ao Leste e ao Norte, passou por Bri onde descansou por uma noite no Pônei Saltitante, e viajou ao longo do antigo Caminho Verde; não muito longe de Bri. Foi lá que encontrou um viajante sentado num barranco à beira da estrada, e seu cavalo pastando atrás dele. Era Radagast, o Castanho, que numa época morou em Rhosgobel, perto das fronteiras da Floresta das Trevas. Ele faz parte de minha ordem, e eu não o via fazia muitos anos pois estava afastado cuidando de seus próprios afazeres.

- Gandalf! - disse ele - estava procurando você. Mas sou um estranho nestas partes. Tudo o que sabia é que você poderia ser encontrado numa região selvagem, com o nome esquisito de Condado.
- Sua informação estava certa - disse Gandalf - mas não fale assim, se encontrar algum habitante de lá. Você está perto da fronteira do Condado agora. E o que quer comigo? Deve ser importante. Você nunca foi um viajante, a não ser por grande necessidade.
- Tenho uma missão urgente - disse ele - minha notícia é má. Então olhou ao redor, como se as cercas-vivas tivessem ouvidos. Nazgûl - sussurrou - os Nove estão de novo à solta. Atravessaram o Rio em segredo e estão indo para o Oeste. Tomaram a forma de cavaleiros vestidos de preto.
- Gandalf soube então do que temia sem saber.
- O Inimigo deve Ter alguma necessidade ou propósito importante - disse Radagast - mas o que o faz olhar em direção a estas partes distantes e desoladas, não posso adivinhar.
- O que está querendo dizer?
- Disseram-me que, aonde quer que cheguem, os Cavaleiros pedem notícias de uma terra chamada Condado.
- O Condado - disse Gandalf - mas meu coração ficou pesado. Pois mesmo os Sábios podem Ter medo de enfrentar os Nove, quando estão reunidos e sob o comando de seu líder imortal. Antigamente, ele foi um grande rei e feiticeiro, e agora emana um pavor mortal. “Quem lhe disse isso, e quem o enviou?”, perguntei.
- Saruman, o Branco - respondeu Radagast - e me recomendou que dissesse a você que pode ajudá-lo se precisar; mas que você deve procurar sua ajuda imediatamente, ou será tarde demais.
- E essa mensagem me trouxe esperança. Pois Saruman, o Branco, é o maior de minha ordem. Radagast, claro, é um mago valoroso, um mestre das formas e das mudanças de cores; tem muito conhecimento das ervas e dos animais, e os pássaros em especial são seus amigos. Mas Saruman vem estudando há muito tempo as artes do Inimigo, e desse modo conseguimos muitas vezes antecipar-nos. Foi pelos métodos de Saruman que expulsamos o Inimigo de Dol Guldur. Podia ser que ele tivesse descoberto armas para rechaçar os Nove.
- Irei até Saruman - disse Gandalf.
- Então deve ir agora, pois perdi tempo procurando você, e os dias estão se acabando. Recomendou-me que o encontrasse antes do Solstício de Verão, e esse dia está chegando. Mesmo que você parta daqui, será difícil alcançá-lo antes que os Nove descubram a terra que procuram.

Chegando a Isengard Gandalf foi confrontado por Saruman. Sem usar meias palavras o Istar Renegado tentou convencer Gandalf que não valia a pena lutar contra Sauron, que deveriam se unir a ele e dividir o poder após a guerra que viria:

“…pôs-se de pé e então começou a declamar, como se estivesse fazendo um discurso longamente ensaiado: os Dias Antigos se foram. Os Dias Médios estão passando. Os Dias Mais Jovens estão começando. A época dos elfos se acabou, mas nosso tempo está chegando: o mundo dos homens, que devemos governar. Mas precisamos de poder, poder para ordenar todas as coisas como queremos, para o bem que apenas os Sábios podem enxergar…”

Gandalf o rejeitou e foi feito prisioneiro em Orthanc, e no alto da torre podia ver como Saruman preparava seus orcs para a guerra; forjando armas e armaduras. Felizmente Gandalf conseguiu escapar, e pouco depois Saruman tinha dentro do próprio Círculo de Isengard o Capitão dos Nazgûl procurando pelo Distrito dos Hobbits, ele fora enviado por Sauron que desconfiava de todos, mesmo de seus servos. Saruman estava furioso pela fuga de Gandalf, mas também bastante assustado com os Nazgûl. A situação de Saruman agravou-se. Se Gandalf escapara, havia ainda uma genuína possibilidade de Sauron não obter o anel, e por isso seria derrotado. No seu íntimo, Saruman reconheceu o grande poder e a estranha boa sorte que Gandalf possuía. Mas agora ele ficara sozinho para se haver com os nove. A sua, disposição mudou e o seu orgulho evaporou-se com a fuga de Gandalf da Impenetrável isengard

- Não é uma terra que procurais - disse - Sei o que procurais, embora o não nomeeis. Eu não o tenho, como certamente os seus servidores percebem sem ser preciso dizê-lo; pois se o tivesse eu curvar-vos-íeis diante de mim e chamar-me-íeis senhor. E se eu soubesse onde essa coisa está escondida, não estaria aqui, mas há muito teria partido, antes que vós pudésseis alcançá-la. Existe apenas um que eu suponho possuir esse conhecimento: Mithrandir, inimigo de Sauron. E como a somente dois dias que ele partiu de Isengard, procurai-o perto.

Tal era ainda o poder da voz de Saruman que nem mesmo o senhor dos Nazgûl punha em dúvida o que ela dizia, quer fosse falso, quer ficasse aquém da completa verdade. Em vez disso, partiu imediatamente da porta e começou a procurar Gandalf em Rohan. Foi assim que ao anoitecer do dia seguinte os cavaleiros negros encontraram Gríma, Língua de Verme, quando este se apressava a levar a Saruman notícia de que Gandalf tinha ido a Edoras e avisado o rei Théoden dos desígnios traiçoeiros de Isengard. Nessa hora o Língua de Verme esteve perto da morte pelo terror; mas, habituado à traição, nem sequer seria necessária a ameaça para que dissesse tudo quanto sabia.

Dividiu então a sua companhia em quatro pares, que cavalgaram separadamente, mas ele próprio foi à frente com o par mais veloz. Assim saíram de Rohan, exploraram a desolação de Enedwaith e chegaram por fim a Tharbad. Daí cavalgaram através de Minhiriath, e, embora estivessem juntos, uma atmosfera de terror alastrava à volta deles, e os seres selvagens escondiam-se e homens isolados fugiam. Mas capturaram alguns fugitivos na estrada; e, para deleite do capitão, provou-se que dois eram espiões e servidores de Saruman.

Um deles tinha sido muito utilizado no tráfico entre Isengard e o Shire, e, embora ele próprio nunca tivesse passado para além do Farthing meridional, tinha mapas elaborados por Saruman que representavam e descreviam claramente o Shire. Os Nazgûl apoderaram-se deles e depois mandaram-no para Bree e ordenaram-lhe que continuasse a espiar, mas advertiram-no de que estava agora ao serviço de Mordor, e se alguma vez tentasse regressar a Isengard, o matariam pela tortura.

Imediatamente atrás dos Nazgûl, Saruman mandou lobos e orcs em vão perseguição de Gandalf; mas nisso teve também outros propósitos: demonstrar o seu poder aos Nazgûl e talvez Impedidos de se demorarem ali por perto, e na sua ira desejou causar qualquer mal a Rohan e aumentar o medo que inspirava e que o seu agente, Língua de Verme tratava de alimentar no coração de Théoden. Língua de Verme estivera em Isengard não havia muito tempo e ia de regresso a Edoras; entre os perseguidores de Gandalf iam alguns com mensagens para ele.

A noite dissipava-se, em 22 de Setembro, quando voltaram a reunir-se e chegaram ao vau do Sarn e às fronteiras mais meridionais do Shire. Encontraram-nas guardadas, pois os caminhantes barraram-lhes o caminho. Mas tratava-se de uma tarefa que ultrapassava o poder dos Dúnedain; e talvez continuasse a ultrapassá-lo mesmo que o seu capitão, Aragorn, se tivesse encontrado com eles. Mas estava ausente para norte, na estrada oriental, perto de Bree. E até a coragem dos Dúnedain os atraiçoou. Alguns fugiram para norte, na esperança de levarem notícias a Aragorn, mas foram perseguidos e mortos ou repelidos para os ermos. Alguns outros ainda ousaram barrar o vau, e defenderam-no enquanto viveram, mas à noite o senhor de Morgul rechaçou-os e os cavaleiros negros entraram no Shire; e antes de os galos cantarem, às primeiras horas do dia 23 de Setembro, alguns cavalgavam para norte através da terra, precisamente quando Gandalf, montando Scadufax cavalgava muito atrás, em Rohan, indo rapidamente em direção do Shire.

Em 29 de setembro Gandalf chega a Bree, na estalagem do Pônei Saltitante ele recebe notícias dos hobbits, e descobre que Passolargo estava com eles, os ajudando na viajem, então após muitos dias e noites de preocupação Gandalf pode repousar por algumas horas.

Saruman mandou contra Rohan toda a força de seu exército orc. Dez mil orcs treinados para a guerra avançavam contra a Terra dos Cavaleiros. Théoden, Rei de Rohan reuniu suas forças e recuou para a fortaleza chamada Abismo do Helm, a mais segura de suas terras, e lá esperou pelo ataque.

Não teve que esperar muito, o ataque foi terrível e as próprias muralhas foram derrubadas pela fúria dos orcs. Os Cavaleiros de Rohan estavam lutando desesperadamente, e a luta estava equilibrada. Mas Gandalf ajudado por um exército de Huorns esperava os orcs em sua retaguarda… nunca se soube qual foi o destino daqueles orcs. O poder de Saruman foi aniquilado pela fúria dos Ents, o valor dos Rohirrim e dos Huorns, e a sabedoria de Gandalf. Isengard foi destruída pelos Ents, seu exército exterminado pelos Rohirrim e os Huorns, seu bastão quebrado, e seu poder mágico tomado por Gandalf, que se tornou “O Branco” assumindo o antigo lugar de Saruman. Saruman caiu tão baixo que na sua derrota buscou por uma vingança mesquinha no pequeno reino do Distrito, onde residiam os seus inimigos de menor poder, os Hobbits. Ali, numa tentativa patética de dominação, Saruman foi superado pelos Hobbits e morto pelo seu próprio servidor, Gríma Língua-de-Verme. Quando Saruman morreu seu corpo mirrou até uma forma descarnada, rapidamente tornou-se pele caveira e ossos envoltos em uma capa esfarrapada da qual surgiu uma coluna de névoa cinzenta. É dito que, por um momento, a forma nevoenta do espírito Maia de Saruman pairou acima de seus restos mortais, olhando para o oeste, mas um vento veio recusando seu pedido e ele desapareceu.

Depois disso não se sabe exatamente o que ouve com os outros Istari. Gandalf passou algum tempo na Terra-média, passou mesmo alguns dias em companhia de Tom Bombadil e depois retornou para as Terras Imortais, Radagast não tem nenhum destino conhecido, mas supõe-se que tenha ficado na Terra-média. Acredita-se que Alatar e Pallando tenham sido assassinados por Saruman, mas não se tem com certeza.

Radagast, Gandalf e Saruman abaixo:

Posted by Gui Vivian at 21:17:02 | Permalink | No Comments »

Armas Famosas da Terra Média

Andúril (Narsil) - Espada de Aragorn II, herdada dos antigos reis de Gondor.

Era chamada Narsil e pertencia ao rei Elendil, mas foi empunhada pela última vez por seu filho, Isildur, que a usou para arrancar o Um Anel da mão de Sauron, decepando seus dedos.

Nesta época ela fora quebrada, ainda no cerco de Barad-dur, na Batalha da Última Aliança e seus fragmentos foram mantidos de geração para geração até sua reforja em Valfenda, no fim da Terceira Era, onde recebeu o nome de Andúril (A Chama do Oeste) e foi empunhada novamente por Aragorn, o rei exilado.
A espada foi feita ainda na Primeira Era pelo anão Telchar de Nogrod.

Quando a Comitiva do Anel passou por Lothlórien, Galadriel e Celeborn presentearam Aragorn com uma bainha especial, feita sob medida para a Andúril - “A lâmina que for retirada desta bainha não será manchada, nem quebrada, mesmo na derrota”. - disse a Senhora de Lórien. A bainha era coberta por uma gravura de flores e folhas feita em ouro e prata e que trazia inscrito, em runas élficas formadas por muitas pedras, o nome de Andúril e a linhagem da espada.

 

Ferroada - Espada de Frodo Bolseiro
Um punhal criado a muito tempo pelos elfos de Gondolin. O hobbit Bilbo Bolseiro a encontrou logo no início de sua jornada para a Montanha Solitária em “O Hobbit”, aventura que antecede os acontecimentos de O Senhor dos Anéis. Ela estava servindo de tesouro dentro de uma caverna onde viviam três trolls, juntamente com duas outras poderosas espadas élficas: Glamdring, que o mago Gandalf tomou para si e Orcrist, a matadora de orcs, reclamada pelo anão Thorin Escudo-de-Carvalho.

Para um troll, a pequena arma não passava de uma faca de bolso, mas nas mãos de um hobbit ela se mostrava uma espada muito útil. Bilbo percebeu isso durante sua aventura, principalmente quando a usou para resgatar seus companheiros anões das aranhas da Floresta das Trevas. Foi neste dia que Bilbo a batizou de Ferroada, depois de ter vencido sozinho seu primeiro combate sem a ajuda de Gandalf ou nenhum dos anões.

Outra curiosidade de Ferroada era de sua eficácia contra os orcs, contra quem se mostrava muito perigosa. Ela também emitia um brilho pálido de sua lâmina toda vez que um orc estivesse próximo, alertando seu portador.

Bilbo deu a espada mágica para seu sobrinho Frodo Bolseiro em Valfenda. E para Frodo, ela também foi muito importante. Dentre os feitos realizados com ela, podemos destacar a batalha em que Sam a empunhou e derrotou sozinho a terrível Laracna, uma aranha gigante que vivia numa caverna nas bordas de Mordor, quando a mesma planejava devorar Frodo.

 

Glamdring - espada usada por Gandalf:  antiga arma do rei Turgon.
Glamdring foi criada ainda na Primeira Era do mundo, pelos elfos ferreiros do reino de Gondolin. Usada pelo Rei Turgon, era toda branca e dourada, com o punho adornado de pedras preciosas e possuía uma bainha feita de marfin.


Após a queda de Gondolin, a espada desapareceu e por milênios sua localização era desconhecida, até que o mago Gandalf a encontrou na caverna onde viviam três trolls, enquanto seguia junto com Bilbo, Thorin e seus companheiros anões para a Montanha Solitária. Não se tem conhecimento de como uma espada tão poderosa foi parar naquela caverna.

Gandalf tomou Glamdring para si e se utilizou bem dela, inclusive na Guerra do Anel, como na batalha dos campos de Pellenor e em frente dos portões negros de Mordor.

 

Orcrist - espada de Thorin Escudo-de-Carvalho
Assim como Ferroada e Glamdring, a espada Orcrist foi feita pelos elfos no reino de Gondolin, na Primeira Era, e também foi encontrada na caverna dos três trolls.

O anão Thorin Escudo-de-Carvalho tomou posse desta arma que possuía uma lâmina muito afiada e um cabo cheio de pedras preciosas. Com ela, lutou na grande batalha dos cinco exércitos onde matou muitos orcs.

Porém, não resistiu aos ferimentos sofridos no confronto e morreu pouco depois. Orcrist foi então colocada sobre o peito do “Rei sob a Montanha” em seu túmulo.

 

Gurthang (Anglachel) - Espada usada por Beleg Arco-Forte e Túrin Turambar
Anglachel era uma poderosa espada de lâmina brilhante, forjada com o ferro que caiu dos céus como uma estrela cadente, na Primeira Era.

Ela foi feita pelo elfo negro Eol e tinha um corte tão afiado que era capaz de partir ferro como se fosse madeira velha. Eol a entregou para o rei elfo Thingol de Doriath como pagamento pela permissão de viver na floresta de Nam-Elmoth, e mais tarde ela foi entregue ao elfo Beleg Cuthalion (Beleg Arco-Forte).

Esta espada trouxe muitas vitórias contra os servos de Morgoth (Melkor), mas também foi a responsável pela morte de dois dos maiores heróis da Primeira Era.

Um dia, Beleg resgatava seu amigo Túrin, que estava desacordado, de um acampamento de orcs. Quando Beleg se preparava para libertar o companheiro, feriu acidentalmente o pé de Túrin que acordou imediatamente assustado, achando que eram os orcs que tinham voltado para atormentá-lo. Como estava escuro na floresta, ele não reconheceu Beleg e lutou contra ele, tomando a espada de sua mão e em seguida matando seu amigo.

Após a tragédia, a lâmina perdeu seu brilho e se tornou negra e embaçada. Túrin a levou consigo e no ano de 490 da Primeira Era, a trouxe para Nargothrond, onde foi reforjada pelos elfos Noldor. Ela então recebeu novamente o brilho, como fogo pálido, mas sua lâmina continuou negra e ela passou a ser chamada de Gurthang que significa “Ferro da Morte”.

Com ela, Túrin Turambar exterminou muitos servos da Escuridão, mas nenhum desses, se comparava ao maior feito de Túrin, filho de Húrin, quando ele matou sozinho Glaurung, o pai dos dragões, a mais terrível das criaturas de Morgoth.

Mas Glaurung, em seus últimos momentos de vida, revelou a Nienor uma triste verdade, que Túrin, o homem que a amava, era na verdade seu irmão e pai da criança que crescia em seu ventre. Foi então que Nienor enlouqueceu e cometeu um suicídio.

Quando Túrin acordou do exaustivo combate contra o dragão, ficou sabendo da verdade e do que acontecera com Nienor. Ele então colocou o punho da Gurthang no chão e deitou sobre a lâmina pondo fim à sua vida.

Este foi o fim de Túrin e também da espada Gurthang, pois sua lâmina partiu. Seus pedaços foram enterrados junto com o corpo de Túrin.

 

ANGRIST- Corta-ferro em Sindarin. Faca criada por Telchar de Nogrod e usada por Curufin, filho de Fëanor, na Primeira Era.

Angrist foi tomada de Curufin por Beren, que a usou para arrancar uma das Silmarils da Coroa de Ferro de Morgoth.

 

Posted by Gui Vivian at 19:38:03 | Permalink | No Comments »