Thursday, June 28, 2007

O Trovador Solitário

A muito tempo atrás em um reino distante havia um trovador, que recitava seus versos pelo ar enchendo de amor os corações apaixonados. Neste mesmo reino havia uma princesa que todos os dias aparecia na torre do castelo para ouvir seus lindos versos, ela parava e observava cada frase, e ele muito empolgado se enchia ainda mais de amor para criar seus versos. Um dia a audácia tomou conta do trovador e ele começou a conversar com a princesa e recitar seus versos somente para ela. Ele não cabia dentro de si de tanta felicidade, e ela sempre retribuindo com o brilho de seus olhos e a brancura de seus sorriso. Portanto, continuando nessa leva, eles se apaixonaram. Mas como toda história de reinos, castelos, e princesas, tinha que ter uma força maligna, para que o bem pudesse combater. Um bruxo que ao ver o amor da princesa e do trovador, se encheu de inveja e se aproximou do trovador e disse: - Olá trovador, como vai? - Vou bem, respondeu o trovador. - Vejo que você esta muito apaixonado pela princesa não é? - Sim, a amo com todas as forças de meu coração. - Mas sabe que ela tem um outro amor? Alguém por quem o coração dela bate mais forte? - O que? - É trovador, um cavaleiro das terras altas, todos sabem disso, você não? - Não, não pode ser verdade, mas o carinho, o beijo, os olhos, as palavras dela, não pode ser verdade. - É trovador, as coisas não são o que parecem ser, e ela sempre brincou com você, até te esnobou dizendo que era feio e pegajoso, me desculpe amigo, mas esse amor é impossível. Inconformado com aquela noticia, o trovador, saiu chorando daquele lugar e decidiu tirar satisfações com princesa, como pode alguém brincar assim com o sentimento dos outros. Caminhou até o castelo e não a encontrou, achou melhor deixar um bilhete. Pobre trovador deixou o ódio tomar conta de seu ser e começou a escrever as palavras mais duras, coisas que nunca tinha dito nem ao seu pior inimigo, naquele momento o trovador não estava apenas machucando a princesa ele estava machucando a si mesmo. Saiu do castelo e pôs-se a andar sem rumo como todo trovador, até que em dado momento ele se arrependeu, deveria ter perguntado sobre a infâmia antes de condenar quem ele tanto amava, logo voltou, mas ao chegar no castelo a surpresa foi desagradável do mesmo modo que no momento da falsa notícia o seu coração ficou ferido, o da princesa também ficou ferido, ao ler aquele bilhete, como pode um coelho se transformar em um dragão cheio de ódio. Ele procurou o perdão dela durante anos, ela até que o perdoou, mas os laços de amor que os unia nunca se reataram. Em um certo dia, numa linda festa da corte, eles se viram ele sozinho, ela com outro, ter aquela visão era como ter uma espada traspassando seu coração, o feriu profundamente. Daquele dia em diante teve a certeza de tê-la perdido. O nosso Trovador, agora recebia um sobrenome o de solitário, sim agora ele era o Trovador Solitário, de poemas tristes e rimas vazias, já que a sua fonte de inspiração havia secado. Até o dia de sua morte, suas trovas foram dedicadas a sua princesa e eterno amor, na esperança de que, talvez um dia ela voltasse e lhe tirasse o sobrenome de solitário.

Bem, essa não é uma história como vemos cotidianamente, não teve final feliz, mas tem um grande fundo moral que nos ajuda a crescer, o de não julgar as pessoas sem antes consultá-las.

 

 

alt : http://www.youtube.com/v/EcFpoo54UhI

Posted by Gui Vivian at 15:00:29 | Permalink | No Comments »

Coragem

Diz uma antiga fábula que um camundongo vivia angustiado com medo do gato. Um mágico teve pena dele e o transformou em gato.

Mas aí ele ficou com medo do cão, por isso o mágico o transformou em cão.
Então, e
le começou a temer a pantera e o mágico o transformou em pantera.
Foi quando ele se encheu de medo do caçador. A essas alturas, o mágico desistiu.
Transformou-o em camundongo novamente e disse:
“ Nada que eu faça por você vai ajudá-lo, porque você tem a coragem de um camundongo”.
É preciso coragem para romper com o projeto que nos é imposto. Mas saiba que coragem não é a ausência do medo, e sim a capacidade de avançar apesar do medo.

Fonte: www.pijamamistico.com.br

Posted by Gui Vivian at 13:50:05 | Permalink | No Comments »

Wednesday, May 16, 2007

Cinnamon, do Neil Gaiman, em português

Eu gostaria de traduzir, com uma frequencia relativamente breve, contos do Neil Gaiman. Alguns já há em português, o que só me dá o trabalho de digitar ou de colar, e os inéditos, eu espero postar aqui e no meu blog, o opiusdei.
Eu gostaria de escrever tão bem quanto o Sr. Gaiman, e de ter um estilo único, como o que ele conquistou.

Com essa iniciativa eu acho que perco esse repentino bloqueio criativo de não escrever mais contos.

O Cinnamon é extremamente curto, numa linguagem simples e muito comovente: Foi a escolha para começar.
O texto eu traduzi do site http://www.neilgaiman.net, e as figuras, de Jill Schwarz, também são de lá. Tradução extremamente simplória, e os erros serão corrigidos. Espero que gostem.

 

Cinnamon era uma princesa, muito tempo atrás, num pequeno país quente, onde tudo era muito velho. Seus olhos eram pérolas, que davam a ela grande beleza, mas queriam dizer que ela era cega. Seu mundo era da cor das pérolas: Branco pálido e um rosa suave, brilhando tênue.

Cinnamon não falava.

Seu pai e sua mãe -o Rajah e a Rani- ofereceram um quarto no Palácio, um campo com árvores de Mangas-anãs e um retrato da tia de Rani executado em madeira vitrificada, e um papagaio verde, para qualquer pessoa que consiga fazer Cinnamon falar.

As montanhas circundavam o país em um lado, a floresta do outro lado, e poucas e distantes vieram as pessoas para tentar fazer Cinnamon falar. Mas vir, eles vieram: E eles ficaram no quarto do Palácio, e cultivaram o campo de Mangas, e alimentaram o papagaio, e admiraram o retrato da Tia de Rani (que fora uma beldade muito celebrada, contudo ela era na época velha e corcunda e minada de senilidade e desapontamento) e, eventualmente, eles vão embora, frustrados, e xingando a pequena garota silenciosa.

Um dia um tigre veio para o palácio. Ele era imenso e poderoso, um pesadelo em preto e laranja, e se movia como um deus pelo mundo, que é como os tigres se movem. O povo teve medo.

Não há motivo para terem medo,” disse o Rajah.

Pouquíssimos tigres são comedores de gente.”

Mas eu sou,” disse o tigre.

Você pode estar mentindo”, disse o Rajah.

Eu posso estar,” disse o tigre, “Mas não estou. Agora: Eu estou aqui para ensinar a garota-filhote a falar.”

O Rajah consultou a Rani, e, apesar dos pedidos da tia de Rani, que foi da opinião de que o tigre deve ser levado para fora da cidade com vassouras e lanças afiadas, o tigre foi conduzido ao quarto no Palácio, e oferecido o quadro vitrificado, e o testamento do campo de Mangas, e foi lhe dado o papagaio, que não falou e voou para o forro no teto, onde ficou e recusou-se a descer.

Cinnamon foi levada para o quarto do tigre… (toda a história lá no opiusdei)

Posted by juan aka suddendevice at 02:25:31 | Permalink | No Comments »

Friday, May 4, 2007

O Anel do Velho Sábio

Em um pequeno vilarejo vivia um velho professor, que de tão sábio, era sempre consultado pelas pessoas da região.

Uma manhã, um rapaz que fora seu aluno, vai até a casa desse sábio homem para conversar, desabafar e aconselhar-se.

- Venho aqui, professor, porque sinto-me tão pouca coisa, que não tenho forças para fazer nada.

Dizem-me que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota.

Como posso melhorar?

O que posso fazer para que me valorizem mais?

O professor sem olhá-lo, disse:

- Sinto muito meu jovem, mas não posso ajudar-te.

Devo primeiro resolver meu próprio problema. Talvez depois.

E fazendo uma pausa falou:

- Se você ajudasse-me, eu poderia resolver este problema com mais rapidez e depois, talvez, possa ajudar-te.

- C… Claro, professor, gaguejou o jovem, mas sentiu-se outra vez
desvalorizado e hesitou em ajudar seu antigo professor.

O professor tirou um anel que usava no dedo pequeno, deu ao rapaz, e disse:

- Monte no cavalo e vá até o mercado.

Devo vender esse anel porque tenho que pagar uma dívida.

É preciso que obtenhas pelo anel o máximo valor possível, mas não aceite
menos que uma moeda de ouro.

Vá e volte com a moeda o mais rápido possível.

O jovem pegou o anel e partiu.

Mal chegou ao mercado, começou a oferecer o anel aos mercadores.

Eles olhavam com algum interesse, até quando o jovem dizia o quanto
pretendia pelo anel.

Quando o jovem mencionava uma moeda de ouro, alguns riam, outros saiam sem ao menos olhar para ele, mas só um velhinho foi amável a ponto de explicar que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar um anel.

Tentando ajudar o jovem, chegaram a oferecer uma moeda de prata e uma xícara de cobre, mas o jovem seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas.

Depois de oferecer a jóia a todos que passaram pelo mercado, abatido pelo fracasso, montou no cavalo e voltou.

O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel, livrando assim seu professor das preocupações.

Dessa forma ele poderia receber a ajuda e conselhos que tanto precisava.

Entrou na casa e disse:

- Professor, sinto muito, mas é impossível conseguir o que me pediu.

Talvez pudesse conseguir 2 ou 3 moedas de prata, mas não acho que se possa enganar ninguém sobre o valor do anel.

- Importante o que disse, meu jovem… contestou sorridente.

Devemos saber primeiro o valor do anel.

Volte a montar no cavalo e vá até o joalheiro.

Quem melhor para saber o valor exato do anel?

Diga que quer vender o anel e pergunte quanto ele te dará por ele.

Mas não importa o quanto ele te ofereça, não o venda…

Volte aqui com meu anel.

O jovem foi até o joalheiro e deu-lhe o anel para examinar.

O joalheiro examinou o anel com uma lupa, pesou o mesmo, e disse:

- Diga ao seu professor, que se ele quiser vender agora, não posso dar mais que 58 moedas de ouro pelo anel.

- 58 MOEDAS DE OURO!!! - exclamou o jovem.

- Sim, replicou o joalheiro.

Eu sei que com tempo eu poderia oferecer cerca de 70 moedas, mas se a venda é urgente…

O jovem correu emocionado à casa do professor para contar o que ocorreu.

- Sente-se - disse o professor.

Depois de ouvir tudo o que o jovem contou-lhe, falou:

- Você é como este anel, uma jóia valiosa e única, e que só pode ser
avaliada por um “expert”.

Pensava que qualquer um podia descobrir o seu verdadeiro valor?

E, dizendo isto, voltou a colocar o anel no dedo.

- Todos somos como esta jóia: valiosos e únicos, e andamos por todos os
mercados da vida pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem.

Você deve acreditar em si mesmo.

Sempre!

“Ninguém pode fazê-lo sentir-se inferior sem o seu consentimento.”

Salvar em PDF Imprimir a Mensagem Mandar a mensagem para um(a) amigo(a) via E-mail
 
 

Fonte: www.pijamamistico.com.br

Posted by Gui Vivian at 06:11:40 | Permalink | Comments (1) »

Thursday, April 26, 2007

A escolha do Rei Arthur

 O jovem Rei Arthur foi surpreendido pelo monarca do reino vizinho enquanto caçava furtivamente num bosque. O Rei poderia tê-lo matado no ato, pois era o castigo para quem violasse as leis da propriedade, contudo se comoveu ante a juventude e a simpatia de Arthur e lhe ofereceu a liberdade, desde que no prazo de um ano trouxesse a resposta a uma pergunta difícil. A pergunta era: O que querem as mulheres? Semelhante pergunta deixaria perplexo até o mais sábio, e ao jovem Arthur lhe pareceu impossível de respondê-la. Contudo aquilo era melhor do que a morte, de modo que regressou a seu reino e começou a interrogar as pessoas: a princesa, a rainha, as prostitutas, os monges, os sábios, o bobo da corte, em suma, a todos e ninguém soube dar uma resposta convincente. Porém todos o aconselharam a consultar a velha bruxa, porque somente ela saberia a resposta. O preço seria alto, já que a velha bruxa era famosa em todo o reino pelo exorbitante preço cobrado pelos seus serviços. Chegou o último dia do ano acordado e Arthur não teve mais remédio senão recorrer a feiticeira. Ela aceitou dar-lhe uma resposta satisfatória, com uma condição: primeiro aceitaria o preço. Ela queria casar-se com Gawain, o cavaleiro mais nobre da mesa redonda e o mais intimo amigo do Rei Arthur! O jovem Arthur a olhou horrorizado: era feíssima, tinha um só dente, desprendia um fedor que causava náuseas até a um cachorro, fazia ruídos obscenos… nunca havia topado com uma criatura tão repugnante. Acovardou-se diante da perspectiva de pedir a um amigo de toda a sua vida para assumir essa carga terrível. Não obstante, ao inteirar-se do pacto proposto, Gawain afirmou que não era um sacrifício excessivo em troca da vida de seu melhor amigo e a preservação da Mesa Redonda. Anunciadas as bodas, a velha bruxa, com sua sabedoria infernal, disse: O que realmente as mulheres querem é Serem Soberanas de suas próprias vidas!! Todos souberam no mesmo instante que a feiticeira havia dito uma grande verdade e que o jovem Rei Arthur estaria salvo. Assim foi, ao ouvir a resposta, o monarca vizinho lhe devolveu a liberdade. Porém que bodas tristes foram aquelas… toda a corte assistiu e ninguém sentiu mais desgarrado entre o alívio e a angústia, que o próprio Arthur. Gawain, se mostrou cortês, gentil e respeitoso. A velha bruxa usou de seus piores hábitos, comeu sem usar talheres, emitiu ruídos e um mau cheiro espantoso. Chegou a noite de núpcias. Quando Gawain, já preparado para ir para a cama, aguardava sua esposa, ela apareceu como a mais linda e charmosa mulher que um homem poderia imaginar! Gawain ficou estupefato e lhe perguntou o que havia acontecido. A jovem lhe respondeu com um sorriso doce, que como havia sido cortês com ela, a metade do tempo se apresentaria horrível e outra metade com o aspecto de uma linda donzela. Então ela lhe perguntou qual ele preferiria para o dia e qual para a noite. Que pergunta cruel…Gawain se apressou em fazer cálculos… Poderia ter uma jovem adorável durante o dia para exibir a seus amigos e a noite na privacidade de seu quarto uma bruxa espantosa ou quem sabe ter de dia uma bruxa e uma jovem linda nos momentos íntimos de sua vida conjugal. Vocês, o que teriam preferido? … O que teriam escolhido? A escolha que fez Gawain está, mais abaixo, porém, antes tome a sua decisão. ATENÇÃO É MUITO IMPORTANTE QUE VOCÊ SEJA SINCERO.
O nobre Gawain respondeu que a deixaria escolher por si mesma. Ao ouvir a resposta, ela anunciou que seria uma linda jovem de dia e de noite, porque ele a havia respeitado e permitido ser soberana de sua própria vida.

 

A estória mesmo sendo direcionada a mulher, é uma verdade universal, válida a todos os seres vivos. Um desejo comum a todos é o de ser soberano de sua própria vida, ou seja a liberdade. Nunca existirá felicidade completa para o ser vivo que seja restrito de sua liberdade. Infelizmente, assim como a saúde, muitos somente dão o devido valor após perdê-la.

Posted by Gui Vivian at 05:08:45 | Permalink | Comments (3)