Cinnamon, do Neil Gaiman, em português
Eu gostaria de traduzir, com uma frequencia relativamente breve, contos do Neil Gaiman. Alguns já há em português, o que só me dá o trabalho de digitar ou de colar, e os inéditos, eu espero postar aqui e no meu blog, o opiusdei.
Eu gostaria de escrever tão bem quanto o Sr. Gaiman, e de ter um estilo único, como o que ele conquistou.
Com essa iniciativa eu acho que perco esse repentino bloqueio criativo de não escrever mais contos.
O Cinnamon é extremamente curto, numa linguagem simples e muito comovente: Foi a escolha para começar.
O texto eu traduzi do site http://www.neilgaiman.net, e as figuras, de Jill Schwarz, também são de lá. Tradução extremamente simplória, e os erros serão corrigidos. Espero que gostem.
Cinnamon era uma princesa, muito tempo atrás, num pequeno país quente, onde tudo era muito velho. Seus olhos eram pérolas, que davam a ela grande beleza, mas queriam dizer que ela era cega. Seu mundo era da cor das pérolas: Branco pálido e um rosa suave, brilhando tênue.
Cinnamon não falava.
Seu pai e sua mãe -o Rajah e a Rani- ofereceram um quarto no Palácio, um campo com árvores de Mangas-anãs e um retrato da tia de Rani executado em madeira vitrificada, e um papagaio verde, para qualquer pessoa que consiga fazer Cinnamon falar.
As montanhas circundavam o país em um lado, a floresta do outro lado, e poucas e distantes vieram as pessoas para tentar fazer Cinnamon falar. Mas vir, eles vieram: E eles ficaram no quarto do Palácio, e cultivaram o campo de Mangas, e alimentaram o papagaio, e admiraram o retrato da Tia de Rani (que fora uma beldade muito celebrada, contudo ela era na época velha e corcunda e minada de senilidade e desapontamento) e, eventualmente, eles vão embora, frustrados, e xingando a pequena garota silenciosa.
Um dia um tigre veio para o palácio. Ele era imenso e poderoso, um pesadelo em preto e laranja, e se movia como um deus pelo mundo, que é como os tigres se movem. O povo teve medo.
“Não há motivo para terem medo,” disse o Rajah.
“Pouquíssimos tigres são comedores de gente.”
“Mas eu sou,” disse o tigre.
“Você pode estar mentindo”, disse o Rajah.
“Eu posso estar,” disse o tigre, “Mas não estou. Agora: Eu estou aqui para ensinar a garota-filhote a falar.”
O Rajah consultou a Rani, e, apesar dos pedidos da tia de Rani, que foi da opinião de que o tigre deve ser levado para fora da cidade com vassouras e lanças afiadas, o tigre foi conduzido ao quarto no Palácio, e oferecido o quadro vitrificado, e o testamento do campo de Mangas, e foi lhe dado o papagaio, que não falou e voou para o forro no teto, onde ficou e recusou-se a descer.
Cinnamon foi levada para o quarto do tigre… (toda a história lá no opiusdei)



