Os Balrogs
Balrogs, criaturas poderosas e mitológicas que nos dias de hoje são lembradas apenas na forma de lendas, ou como histórias que se contam ao lado de uma fogueira para assustar os amigos.
Porém, sua verdadeira origem é mais antiga e eles nem sempre foram maléficos. Ela se inicia durante a formação de Arda, quando os Valar e Maiar trabalharam juntos na contenção dos fogos, no apaziguamento da fúria das águas, no acalmar dos poderosos ventos, e sobretudo na contenção das convulsões da terra. O mais poderoso dos Valar, Melkor, cobiçou Arda e decidiu que ela deveria ser apenas sua… para conseguir isso fez a primeira das guerras, num momento tão antigo que o tempo ainda não era contato por nossas medidas. Com promessas de poder Melkor seduziu alguns dos maiar mais poderosos, os maculou tornando-os malditos e renegados de seu povo. Esses eram maiar de fogo, criaturas poderosas que depois receberam o nome Balrogs.
Balrogs são criaturas da raça Maiar, espíritos mais antigos que o próprio mundo que entraram em Arda para ajudar na formação do lar dos primogênitos. Na primeira Era de Arda, Morgoth seduziu alguns Maiar de Fogo com promessas de poder e supremacia, e eles se tornaram seus servos. Esses Maiar assumiram a forma de seres poderosos, e sua aparência era terrível de se ver. A palavra “Balrog” significa “demônios do terror” na língua Sindarin, em Quenya “Balrog” se escreve “Valarauko”. Abaixo uma passagem descreve bem o que eram os Balrogs:
Os Balrogs tinham, provavelmente, uma forma humanóide, com pernas, braços, cabeça e tronco. Mas as semelhanças com um homen acabam por aí, pois suas faces eram terríveis e horrorozamente distorcidas. Tinham uma espécie de juba que tanto poderia se apresentar em chamas ou na forma de uma mancha escura que cobria tudo em volta, e talvez, apenas talvez tenham asas, mas quanto a isso não existe consenso. A melhor descrição de um Balrog é feita por Gandalf quando esteve na ponte de Khazad-dûm:
“… algo estava surgindo atrás deles. O que era não pôde ser visto: estava como uma grande sombra, no meio de qual havia uma forma escura, de forma humana talvez, contudo maior; e um poder e terror pareciam estar nele e a sua frente… sua juba se ascendeu e brilhou atrás dele. Em sua mão direita empunhava uma grande cimitarra com fogo em torno da lâmina; em sua mão esquerda havia um chicote de muitas correias… o inimigo parou novamente, enquanto Gandalf estava na sua frente e as sombras avançaram como duas imensas asas. Elevou o chicote, e as correias estalaram, fogo saiu de suas narinas “. [3]

A arma principal de um Balrog é o “chicote de fogo” que se assemelha a um chicote de muitas tiras e pontas com fogo ardendo ao redor. Essa arma foi usada para quebrar as teias de Ungoliant, a aranha que tentou tomar os Silmarils de Morgoth. O chicote é repetidamente mencionado como a arma preferida dos Balrogs, mas também há registros que os Balrogs da primeira era usaram outras armas. Grandes machados pretos, cimitarras e maças, o Balrog que lutou com Gandalf em Khazad-dûm usou ambas as armas: o chicote de fogo e a cimitarra flamejante.
Apesar de não existirem registros, acredita-se que um Balrog não “precisava” de nenhuma arma para lutar. Seu domínio sobre o fogo, quepodia ser direcionado e lançado sobre seus inimigos, já seria, por si só, uma arma formidável… mas isso é apenas divagação.
” … e me achei de repente enfrentado algo que não tinha encontrado antes. Algo entrou na câmara, eu sentia isto através da porta, os orcs tinham medo e se calaram. Pôs a mão no anel férreo, e então me percebeu e ao meu encanto. O que era que eu não posso adivinhar, mas eu nunca senti tal poder e desafio antes. A contra-magia foi terrível e quase fui destruído. Para um momento a porta saiu do meu controle e começou a abrir! Eu tive que reforçar o encanto, isso provou muito uma tensão muito grande e a porta estourou em pedaços …” [4]
Claramente, o Balrog soube que havia um encanto na porta e também soube que outro espírito de poder igual ao seu o pôs isto lá. e também usou um encanto de para ganhar controle da porta. por serem Maiar tem conhecimentos maiores que a maioria dos Elfos, e certamente superior a de todas as criaturas Mortais. Realmente, Morgoth designou Gothmog, o maior dos Balrogs como Capitão de Angband.
Balrogs eram imensamente fortes e poderosos. A mera presença deles era bastante para causar medo e inércia nos seus inimigos. Note reação de Legolas e Gimli quando vêem o Balrog de Moria pela primeira vez:
“… puxou a corda do arco, mas sua mão caiu e a seta deslizou ao chão. Em seguida soltou um grito de desânimo e medo. Mas não foram os orcs que causaram medo em Legolas. Gimli fitou a forma escura com olhos esbugalhados. “A Ruína de Durin!” ele chorou, e deixando o machado cair ele puxou o capuz cobrindo a face …” [5]
Não é próprio de Tolkien dar múltiplas interpretações a um fato. O Balrog de Moria nunca falou. E não se tem registros, tanto no Senhor dos Anéis quanto no Silmarillion, de qualquer frase ou palavra emitida por um Balrog. Em Moria Gandalf teve que falar para criar o encanto que bloqueou a porta. Seria lógico supor que o Balrog também teria que falar para criar o seu contra-encantamento… mas nem Gandalf nem Pippin ouviram nada. Levando em conta que Gandalf pode perceber o súbito silêncio dos orcs quando o Balrog chegou, é razoável concluir que ele também o ouviria caso falasse alguma coisa.
Por outro lado, um pouco adiante temos a seguinte passagem do livro:
“… batendo o cajado com força na ponte de pedra Gandalf a despedaçou, com um grito terrível o Balrog caiu da ponte e sua sombra mergulhou abaixo desaparecendo no vazio …” [7]
Outro relato interessante e que parece confirmar que os Balrogs falam menciona o Orkish, o idioma negro dos orcs. Dizia-se que Sauron criou esse idioma para ser uma “língua comunal” entre seus servos. Mas com sua queda na guerra da última aliança esse idioma negro foi esquecido por todos, exceto pelos Balrogs e Nazgûls. Eras depois, quando Sauron retornou a Mordor o Orkish voltou a ser o único idioma falado na Torre de Barad-dûr pelos seus capitães e pelos Nazgûl.
Algumas pessoas tem a firme idéia de que os Balrogs tem asas, e portando, por terem asas, podem voar. Essa idéia de que um Balrog tem asas e pode voar é causada pela descrição do Balrog das Minas de Moria feito pela Companhia do Anel.
“… a forma escura pisou adiante, lentamente avançando para a ponte de pedra, e de repente saltou a uma grande altura, suas asas foram abertas de parede a parede …” [8]
Porém, esta declaração é precedida pela descrição dada acima [3] que sua escuridão estava COMO asas. Tolkien era muito particular no uso de palavras. Se o Balrog tivesse asas que ele não teria usado a palavra “como”. Este uso denota que sua escuridão era tangível e se parecia com asas; não que na verdade teve asas.
“… então de repente Morgoth enviou grandes rios de chama que correram abaixo mais rápido com Balrogs de Thangorodrim, a frente daquele fogo veio Glaurung o dourado, pai dos dragões. E no seu encalço estavam os Balrogs, e atrás deles os exércitos negros de orcs entravam em multidões como o Noldor nunca tinha visto ou tinha imaginado …” [9]
Pareceria que o Balrogs estavam correndo com o fluxo de lava embora não tão rapidamente. Se eles voassem, então Tolkien não teria usado a palavra “correram” como uma comparação em como rápido a lava fluiu. Nós também sabemos que Glaurung era uma grande serpente com pernas e garras, e não um dragão que poderia voar. Isto significa Glaurung corria pela terra, e portanto que os Balrogs corriam atrás dele.
“… em lugares profundos e esquecidos foi ouvido um grito. Nos corredores arruinados de Angband, em cavernas nas quais o Valar na pressa do seu ataque não tinha descido, Balrogs ainda espreitam. Eles estavam esperando o retorno do seu senhor; e agora rapidamente surgiram ignorando Hithlum e indo a Lammoth como uma tempestade de fogo. Com seus chicotes de chama eles golpearam as teias de Ungoliant, e ela fugiu e se escondeu …” [10]
O Balrogs também foram enviados por Morgoth para lutar contra os Elfos na Quinta Batalha, a Nirnaeth Arnoediad (a Batalha de Lágrimas Incontáveis) e na Batalha da Queda de Gondolin. Muitos senhores poderosos entre os Noldor caíram ante sua fúria impiedosa.
“… eu pus abaixo meu inimigo, e ele caiu do topo de Zirakzigil. A montanha ao lado foi despedaçada com o choque de seu corpo. Então a escuridão me levou, e eu vagueei fora do tempo ou de pensamentos, vagueei por estradas que não contarei …” [11]
Nós também temos uma das cartas de Tolkien, onde é atestado definitivamente que o encontro com o Balrog resultou na morte de Gandalf:
“… assim Gandalf enfrentou e sofreu a morte; e voltou ou foi mandado de volta - como diz ele - com poder aumentado e um novo nome: Gandalf, o branco …” [12]
Gothmog, Capitão de Angband, Senhor dos Balrogs. Foi ele que matou Fëanor e Fingon. E na Queda de Gondolin, Gothmog matou Ecthelion.
“… assim foi que ele (Fëanor) avançou para Angband; e vendo os servos de Morgoth ficou em fúria, de lá eles emitiram um pavoroso uivo e Balrogs foram ajudar na luta. Lá nos confins de Dor Daedeloth, a terra de Morgoth, Fëanor foi cercado, com poucos amigos para ajudá-lo. Longamente ele lutou, sozinho pois todos morreram a sua volta, ele foi rodeado por círculos de fogo e ferido muitas vezes; mas golpeou Gothmog, Senhor dos Balrogs a quem Ecthelion depois matou em Gondolin …” [13]
Gothmog e Finglofin
Na última grande batalha da Primeira Era muitos Balrogs foram destruídos, mas alguns escaparam a ira dos Valar e Maiar se escondendo nas cavernas mais profundas e escudas de Angband. O número exato de Balrogs originais não é conhecido, mas dos que sobreviveram Tolkien escreve o seguinte :
Portando, é lógico presumir que o Balrog agiu da mesma maneira que sua espécie agiu durante toda a história. Quando encontrou Gandalf (que também era um Maiar) ele tentou destruí-lo, pois Gandalf era um servo dos Valar e portanto inimigo eterno dos servos de Melkor. Ou seja, o Balrog atacou Gandalf e permitiu a entrada dos orcs em Moria pelo mesmo motivo: desejo de poder/dominação, e ódio contra os Valar e elfos…
